Brasil Varonil

Operação Saqueador: STJ manda soltar Cachoeira e Cavendish

O ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ),  mandou soltar nessa sexta-feira (8) os presos investigados na Operação Saqueador, entre eles o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e Fernando Cavendish, ex-dono da construtora Delta.

Preso na Operação Saqueador, Carlinhos Cachoeira estava preso em Bangu 8, com os empresários Fernando Cavendish, Adir Assad e Marcelo Abbud
Preso na Operação Saqueador, Carlinhos Cachoeira estava preso em Bangu 8, com os empresários Fernando Cavendish, Adir Assad e Marcelo Abbud

Foto: Agência Brasil

A defesa dos acusados entrou com habeas corpus pela manhã no tribunal, após a decisão que revogou prisão domiciliar concedida aos acusados.

A decisão, que não foi divulgada, vai beneficiar os empresários Adir Assad e Marcelo Abbud, que também estão presos. Por meio de telegrama, o STJ já informou o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que deverá determinar a soltura dos acusados e empregar medidas cautelares. Os acusados estão presos no presídio de Bangu 8.

Operação Saqueador

Os mandados de prisão foram expedidos no âmbito da Operação Saqueador da Polícia Federal, que rastreia esquema de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, no valor de R$ 370 milhões. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os principais acusados são Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira.

Além deles, foram denunciadas 21 pessoas, incluindo executivos, diretores, tesoureira e conselheiros da empreiteira e proprietários e contadores de empresas fantasmas, criadas por Carlinhos Cachoeira e os empresários Adir Assad e Marcelo Abbud.

Dima diz que governo interino só revela parte da verdade

A presidente afastada Dilma Roussef participou nessa sexta-feira (8), em São Paulo do ato Mulheres com Dilma em defesa da democracia, organizado pela Frente Brasil Popular SP. Em discurso, Dilma disse que o governo interino é “fruto de um golpe”, porque só revela parte da verdade.

Ato Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia na Casa de Portugal, avenida da Liberdade, região central da capital paulista
Ato Mulheres com Dilma em Defesa da Democracia na Casa de Portugal, avenida da Liberdade, região central da capital paulista

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Eles dizem que o golpe não existe, porque o impeachment está previsto na Constituição. Como sempre, eles só revelam parte da verdade. Sim, o impeachment está previsto na Constituição, mas eles não falam que, para ter impeachment, precisa ter crime de responsabilidade. E não há crime de responsabilidade”, avaliou.”Por isso, [essa é] a primeira constatação que faço sobre esse governo golpista, usurpador, integrado por pessoas que tem muito pouca credencial para ocupar com idoneidade o Palácio do Planalto. Quero me referir ao fato de que é um governo de homens brancos e ricos. É um governo que não tem mulher nem negros em um país como o nosso.”

O evento Mulheres com Dilma em defesa da democracia ocorreu nas instalações da Casa de Portugal, no centro da capital paulista. Desde as 16h, o público já chegava ao local para participar do ato. Por causa da lotação limitada, um telão foi colocado em frente ao prédio, na Avenida Liberdade, para que mais pessoas pudessem acompanhar. Segundo a organização, cerca de 500 pessoas estavam do lado de fora acompanhando.

A presidente afastada disse ter certeza de que há um “conteúdo machista nesse golpe”. “Temos um estereótipo da mulher que faz com que tenha gente ultraconservadora que defende [por exemplo] o estupro culpando a mulher, como se um ato de violência fosse culpa da vítima”, disse. “Mulher pode ser presidenta! Não podemos esquecer que mulher pode e deve ser presidenta, mulher pode e deve ser ministra em um país que tem maioria de mulheres. O fato de eu ser a primeira mulher presidenta da República teve um significado no país, que, sabemos, tradicionalmente tem valores paternalistas e conservadores.”

Renúncia

“Vou lutar todos os dias de minha vida. Eu não entrego o jogo. Tenho clareza de quem devo honrar. Quero honrar o povo que me elegeu, homens e mulheres. É minha obrigação por ter tido os votos majoritários: 54 milhões”, acrescentou a presidente afastada, negando que irá renunciar.

“Quando você está de bem com sua consciência, quando você tem o apoio caloroso do povo, daqueles que você respeita e considera, é uma luta mais fácil. Tenho certeza absoluta de que, como estou sempre com vocês, vocês estarão comigo.”

O evento Mulheres com Dilma em defesa da democracia ocorreu nas instalações da Casa de Portugal, no centro da capital paulista. Desde as 16h, o público já chegava ao local para participar do ato. Por causa da lotação limitada, um telão foi colocado em frente ao prédio, na Avenida Liberdade, para que mais pessoas pudessem acompanhar. Segundo a organização, cerca de 500 pessoas estavam do lado de fora acompanhando.

Educação

A presidente do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, defendeu Dilma e disse que ela é exemplo de luta e resistência. “Estamos diante da maior ofensiva que esse país já teve em termos de democracia. Veja o que fizeram com o Conselho Nacional de Educação (CNE).”

No fim de junho, o presidente interino Michel Temer revogou a nomeação de 12 conselheiros do CNE. Eles foram nomeados por Dilma em maio, para um mandato de quatro anos. Na época da revogação, o presidente do conselho, Gilberto Garcia, informou que essa é a primeira vez que uma nomeação é revogada no conselho.

“[No estado de] São Paulo, temos know-how com governo golpista. Sabemos o que nós enfrentamos. Por essa razão, esta sexta-feira demarca uma resistência com força e luta para que consigamos a volta da presidenta Dilma, eleita democraticamente. Queremos políticas populares. Queremos que continuem programas sociais”, acrescentou Maria Izabel.

Participaram do ato lideranças e representantes de mulheres, entre elas a deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE), as deputada estaduais Leci Brandão (PCdoB-RJ) e Ana Furtado (PR-PA), Maria Júlia, da Marcha Mundial de Mulheres, Nádia Campeão, vice-prefeita e secretária municipal da Educação, a cineasta Tata Amaral, Maria Aparecida Costa, Amelinha Teles, da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, a vereadora Juliana Cardoso, Luciana Maria, do Movimento dos Atingidos por Barragens, a presidente da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral, e Ana Estella Haddad, do projeto São Paulo Carinhosa.

O evento teve ainda apresentações culturais, com participações das cantoras Luana Hansen, Sharylaine e do bloco Ilú Obá de Min.

Temer fala em privatizar aeroportos de Congonhas e Santos Dumont

Interino diz ainda que pode aumentar impostos e refinanciar dívidas de empresários, mas vai aguardar impeachment de Dilma para propor reforma previdenciária e trabalhista

Michel Temer com o governador tucano Geraldo Alckmin - Foto: Beto Barata/ Presidência da República
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (10), o presidente interino Michel Temer diz que estuda privatizar os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) para reduzir o rombo nas contas públicas: “É possível que venhamos a privatizar, vai ser analisado, Congonhas e Santos Dumont, o que deve dar uma boa soma”.Congonhas e Santos Dumont têm a rota mais movimentada do país em razão da ponte aérea Rio-São Paulo. A inclusão dos dois aeroportos na lista de privatizações sinaliza uma ampliação importante no pacote de concessões que está sendo montado pelo governo interino. Inicialmente, a ideia era vender só quatros unidades neste ano –Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza–, o que renderia no mínimo R$ 4,1 bilhões de receita. O governo Dilma Rousseff não pretendia vender Congonhas e Santos Dumont. Temer disse à Folha que não há resistências de seus ministros da área econômica: “Também não há da minha parte.”

Temer disse esperar que a venda de ativos e a recuperação da economia gerem receitas suficientes para cumprir a meta fiscal de 2017, que prevê déficit de R$ 139 bilhões, mas não descartou um aumento de impostos: “O meu desejo é que não aumente, mas, se houver absoluta necessidade, não tem o que fazer.” Ele citou a Cide, tributo que incide sobre combustíveis, e o PIS/Cofins.

Temer disse, porém, que só enviará ao Congresso propostas para as reformas previdenciária e trabalhista “depois do impeachment”, e não descarta conceder um novo Refis (refinanciamento de dívidas) pedido por empresários.

O peemedebista declarou à Folha que a chance de a Operação Lava Jato atingi-lo é zero. “Pode botar um zero em letras garrafais.”

Temer assumiu o cargo interinamente em maio. Questionado sobre o que mudará no governo se o Senado afastar Dilma Rousseff definitivamente em agosto, ele respondeu: “Não muda nada. Sei da interinidade, mas estou agindo como se fosse efetivo”. Ele afirmou que, se Dilma voltar ao cargo, isso não será uma frustração: “Minha não será. Não vivo da Presidência, vivo da minha vida interior”.

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