O GIRO DA NOTICIA GERAL

Os judocas do Congo que eram presos em jaulas após derrotas e hoje sonham com medalha no Rio

No entanto, mais do que brigar por medalhas, Yolande e Popole esperam aparecer na TV durante a competição e, assim, serem vistos por suas famílias, de quem estão distantes há quase 20 anos.

“Não sei se estão vivos”, diz Yolande, que vive de favor na Cidade Alta, favela na Zona Norte do Rio.

“Em uma competição no Brasil, todas as pessoas na África vão querer ver, vão assistir na televisão”, emenda Popole, que mora com a esposa brasileira e crianças em um quarto e sala na favela Cinco Bocas, em Brás de Pina.

Os congoleses vieram ao Brasil disputar uma competição internacional três anos atrás. Mas contam que o chefe da delegação congolesa os deixou no hotel sem dinheiro nem passaportes.

“Não aguentei de fome. Fugi”, lembra Yolande.

Acabaram ficando por aqui. Mas ela e Popole reviveram no Brasil algo que haviam experimentado em seu país natal: abandono, maus-tratos e fome.

No país há três anos, Popole Misenga vive com o filho na favela Cinco Bocas
No país há três anos, Popole Misenga vive com o filho na favela Cinco Bocas

Foto: BBC / BBCBrasil.com

Yolande Bukasa ainda mora de favor na casa de outras pessoas na Zona Norte do Rio
Yolande Bukasa ainda mora de favor na casa de outras pessoas na Zona Norte do Rio

Foto: BBC / BBCBrasil.com

“Passei fome tantas vezes que me acostumei”, diz Yolande.

Quando crianças – ela aos dez anos de idade, ele, aos sete -, os dois deixaram suas casas sem olhar para trás. Moradores da região do Bukavu, área fronteiriça com Ruanda, eles sobreviveram à sanguinária guerra civil congolesa, que dexou cerca de 6 milhões de mortos e mais de 500 mil refugiados.

“Eu, criança pequena, voltei da escola e saí na rua pra brincar. E nunca mais voltei pra casa”, lembra Yolande, que não teve, desde então, notícias de sua família.

Popole fugiu para a floresta. “Comia frutas”. Acabou resgatado e levado a um centro para crianças refugiadas, na capital Kinshasa. Ali, conheceu Yolande, quando ambos começaram a praticar judô.

Campeões em seu país, começaram a viajar com a seleção nacional.

Popole já foi campeão africano de judô e espera conseguir uma medalha nos Jogos
Popole já foi campeão africano de judô e espera conseguir uma medalha nos Jogos

Foto: BBC / BBCBrasil.com

Quando perdia, Yolande era punida ficando presa em uma jaula por dias
Quando perdia, Yolande era punida ficando presa em uma jaula por dias

Foto: BBC / BBCBrasil.com

“Quando vencíamos, ganhávamos algum dinheiro. Quando perdíamos, nos colocavam numa jaula”, relembra Yolande.

Já no Rio, ao deixarem o hotel, foram ajudados por angolanos e congoleses que os levaram para a região de Brás de Pina.

Popole logo foi apelidado pelos vizinhos de Cinco Bocas de Popó. Conheceu a brasileira Fabiana e teve um filho. Yolande ainda luta para conseguir um lugar para morar.

A ajuda mais concreta que receberam foi do Instituto Reação, do ex-judoca e medalhista Flávio Canto.

“Além de treinamento, nós temos uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e preparador físico. Eles têm uma cesta básica e um kimono”, lista o treinador Geraldo Bernardes, quatro vezes à frente da equipe olímpica brasileira e responsável pelas atividades no Reação.

O sensei Geraldo Bernardes treina a dupla no Instituto Reação
O sensei Geraldo Bernardes treina a dupla no Instituto Reação.

Temer assina aumento de 37% e evita greve de delegados da PF

Pressionado pelos delegados da Polícia Federal, o presidente interino Michel Temer assinou na noite dessa quinta-feira (28) projeto de lei que prevê reajuste de 37% para essa categoria. O texto será enviado para aprovação do Congresso Nacional e contempla todas as carreiras da PF.

Sede da Polícia Federal de Brasília
Sede da Polícia Federal de Brasília

Foto: Charles Sholl/Futura Press

O objetivo foi evitar paralisação dos delegados da PF às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. O diretor-geral da PF, Leandro Daiello, informou na quarta-feira (27) ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que a categoria já havia aprovado indicativo de greve.

Segundo a categoria, o PL recompõe perdas inflacionárias retroativas a 2012. Caso o projeto seja aprovado, os reajustes serão feitos em parcelas, entre 2017 e 2019. Hoje, o salário inicial de um delegado da PF é de cerca de R$ 14 mil.

Diante da assinatura, a Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) cancelou as mobilizações que estavam marcadas para esta sexta-feira em todas as superintendências regionais da PF. Estavam previstas também manifestações nos aeroportos para o fim de semana. Uma paralisação nacional seria votada em assembleia na próxima terça-feira (2).

‘Economist’: Olimpíada não vai reverter decadência do Rio

Além de listar os notórios problemas que o Rio enfrenta às vésperas da abertura da Olimpíada – da sujeira da Baía de Guanabara às inacabadas instalações da Vila dos Atletas -, a revista britânica The Economist afirma, em matéria publicada nesta sexta-feira (29), que a cidade está em decadência desde os anos 1960.

Quando venceu a disputa para sediar a Olimpíada, há sete anos, Rio parecia ser mesmo a cidade maravilhosa, diz 'Economist'
Quando venceu a disputa para sediar a Olimpíada, há sete anos, Rio parecia ser mesmo a cidade maravilhosa, diz ‘Economist’

Foto: Getty Images

“A cidade olímpica está em declínio desde os anos 60”, diz a revista. “Os Jogos não vão mudar sua direção.”

Para a revista, sete anos atrás, quando o Rio venceu a disputa para sediar os Jogos, ele até parecia fazer jus ao título de “Cidade Maravilhosa”. A violência estava em queda havia mais de uma década e a economia passava por um boom motivado em boa parte pela demanda por petróleo – e pelas perspectivas positivas criadas pela descoberta do pré-sal na costa do Estado.

“Os Jogos exibiriam uma cidade próspera e autoconfiante, diziam seus organizadores…”, diz o artigo. “Mas agora, a poucos dias da cerimônia de abertura, essa autoconfiança parece estar abalada. O sucesso dos jogos pode elevar o ânimo. Mas isso não será suficiente para fazer da cidade uma potência econômica.”

As raízes da decadência estão nos anos 1960, quando a capital federal foi transferida do Rio de Janeiro para Brasília, afirma a revista. Desde então, o Rio viu a maioria das agências públicas se mudarem em massa para a nova sede dos Três Poderes, perdeu a liderança industrial para São Paulo e assistiu ao setor financeiro ser engolido.

Para a revista, o Rio não encontrou vocação para substituir a renda gerada por bancos e burocratas. A descoberta do pré-sal e os preços (então) altos dos barris de petróleo sugeriam, há poucos anos, que a cidade poderia tirar proveito do benefício que seria obtido pelo Estado todo, como empregos e investimento, mas isso acabou não se confirmando.

Ainda assim, a Economist destaca que o Rio continua sendo a casa de vários empreendimentos criativos e universidades, e cita a presença do maior grupo de mídia do país, a Rede Globo e de centros pesquisa da GE e da Microsoft.

Mas os dotes culturais da cidade não conseguiram reverter as perdas, e a revista insinua que desde a Bossa Nova, pouco se produziu ali.

A Economist também salienta que as administrações estaduais foram incapazes de atrair investimentos e melhorar serviços e infraestrutura.

A reportagem de três páginas aponta os esforços do prefeito Eduardo Paes de melhorar os gastos em saúde e educação. Mas ressalta a dificuldade do Estado de equalizar despesas e arrecadação, além de conter o aumento da violência.

Finaliza admitindo que até que os jogos conseguiram manter os empregos e aumentar renda no Rio, enquanto o resto do Brasil sofre com recessão. Mas diz que será preciso mais que uma Olimpíada para melhorar a situação da cidade.

“O cenário espetacular faz as pessoas desejarem ir ao Rio, mas vai ser preciso mais que uma luta contra a violência, melhor gestão fiscal e melhora nos serviços públicos para fazer alguém querer ficar”.

ONU confirma queixa de Lula por violação de direitos humanos

O Escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU confirmou nesta sexta-feira que recebeu a queixa anunciada ontem pelos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que alegam “perseguição judicial”.

O ex-presidente Luis Inácio Luda da Silva
O ex-presidente Luis Inácio Luda da Silva

Foto: André Lucas Almeida / Futura Press

Fontes do Alto Comissariado explicaram que o pessoal do Escritório examinará o pedido, fará um resumo legal do mesmo e o enviará aos membros do Comitê de Direitos Humanos para que o examinem.

Os membros examinarão se a queixa pode ser registrada ou não em função de vários critérios, como se foram esgotadas todos as opções legais no país do suposto danificado ou não, entre outras.

Se o Comitê decidir registrá-la, então a queixa se transformará em um caso pendente.

O processo, que é confidencial, pode durar até dois anos, dado que o Comitê tem 500 casos pendentes.

Uma vez registrada a queixa, os membros analisam primeiro se a mesma pode ser admitida ou não.

Se for admitida, então os membros analisam se houve alguma violação da Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos, da qual o Brasil faz parte.

O Comitê não é um órgão permanente, mas reúne-se de forma regular três vezes ao ano, nas quais analisa de média 40 casos por sessão.

Os membros são os que podem decidir avançar em um caso concreto, por exemplo quando uma pessoa é condenada à pena de morte ou esteja a ponto de ser expulsa de um país.

Em algumas ocasiões, inclusive, o Comitê pode pedir ao Estado que de forma interina suspenda uma decisão até que o caso possa ser examinado, para proteger o suposto envolvido.

O Instituto Lula, que é dirigido pelo ex-mandatário, informou ontem que apresentavam a demanda, que foi encarregada ao advogado australiano Geoffrey Robertson, especialista em direitos humanos.

Robertson explicou que com essa queixa querem denunciar a suposta “perseguição judicial” que Lula sofre.

Nesse contexto, o ex-mandatário denunciou estar submetido a uma “perseguição política e judicial”, que -na sua opinião- se confirmou em março, quando foi levado à força para prestar depoimento em uma delegacia.

PF desarticula esquema de tráfico de humanos no Amazonas

A Polícia Federal faz nesta sexta-feira (29) operação para desarticular uma organização criminosa que usava ilegalmente o próprio nome da PF. O grupo fazia anúncios para atrair jovens amazonenses a apresentações artísticas na Coreia do Sul, mas na verdade tinha como objetivo explorar sexualmente os interessados.

Polícia Federal durante operação
Polícia Federal durante operação

Foto: Agência Brasil

A empresa Brazil Amazon Show & Productions postava anúnicos em redes sociais para recrutar jovens dançarinos e dançarinas, com a promessa de pagar passagens aéreas, visto, alimentação, moradia e um salário de R$ 3 mil. A PF era apresentada como validadora dos contratos de trabalho.

A Operação Salve Jorge cumpre na manhã desta sexta-feira cinco mandados de condução coercitiva e cinco de busca e apreensão. As investigações apontaram cidadãos sul-coreanos como responsáveis por financiar o esquema.

Frustrados e ‘tentando se virar’: o que estão fazendo os jovens que perderam o emprego?

Estar em casa no meio da tarde de uma quarta-feira pode parecer o paraíso para quem vive preso no escritório. Mas, para os milhares de jovens brasileiros que estão sem emprego, horas, semanas e meses livres não têm nada de descanso.

Formado desde 2014 e sem emprego, Kauê Mamprim pensa em fazer uma nova faculdade para tentar entrar no mercado de trabalho
Formado desde 2014 e sem emprego, Kauê Mamprim pensa em fazer uma nova faculdade para tentar entrar no mercado de trabalho

Foto: BBC / BBCBrasil.com

“Gastei dias pesquisando cursos de qualquer coisa”, diz a editora Ana Luiza Candido, 28, desempregada desde junho. “Porque no fim é um tempo que a gente fica à toa. Boa parte dele você está esperando uma resposta e às vezes ela não vem.”

Nas suas pesquisas, Ana descobriu um curso de contação de histórias, que vai começar em outubro. Também procurou trabalhos voluntários em ONGs de animais e aulas de culinária. Um grupo de artesanato é outra opção.

Os dados gerais são desanimadores: o IBGE divulgou nesta sexta-feira que a taxa de desemprego do país foi de 11,3% entre abril e junho – 3 pontos percentuais acima da taxa registrada no mesmo período do ano passado (8,3%).

Mas, em toda crise econômica, os jovens são os que mais sofrem com a falta de vagas, porque têm menos experiência. No Brasil não é diferente. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de junho mostra que pessoas entre 18 e 24 anos são as mais afetadas pelo desemprego. O índice passou de 15,25%, no 4° trimestre de 2015, para 26,36% no 1° trimestre deste ano.

Segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil, o fenômeno se estende a quem tem menos de 30 anos e começou a vida profissional um pouco mais tarde.

Assim como Ana, uma multidão de jovens está se virando para preencher os dias. Alguns fazem pós-graduação para melhorar o currículo, outros pensam em mudar de carreira. Há ainda quem, para pagar as contas, recorra a bicos. Seja qual for a saída, todos se dizem decepcionados com o que o país oferece a uma geração mais educada.

Mestrado

A vontade da geógrafa Denise Dias, 25, era terminar a faculdade na USP e começar a trabalhar em uma empresa de engenharia. Mas a crise interrompeu seus planos. Depois que entregou o trabalho de conclusão de curso, em julho de 2015, ficou sem emprego até dezembro.

Quando voltou ao mercado, foi como vendedora em uma livraria. Foram só alguns meses até decidir pelo mestrado.

“Fiquei com medo de não conseguir me recolocar. Queria ficar na minha área.”

Hoje Denise se dedica só à pós-graduação, pela qual recebe uma bolsa, mas ainda se sente frustrada.

“Parece que estou jogando meu diploma no lixo. Ainda mais a gente que entrou na faculdade pública e ralou tanto.”

Em uma agência de emprego no centro de São Paulo, Kauê Mamprim, 23, tem a mesma sensação. Ao ouvir da atendente que não tinha experiência suficiente para uma vaga, solta um suspiro e diz que quer começar outra faculdade o mais rápido possível.

“Me formei em 2014 e achava que nem ia precisar procurar. Se soubesse disso seis anos atrás, teria escolhido diferente.”

A ideia agora é cursar engenharia mecatrônica. Antes disso, espera o resultado da prova da Etec (Escola Técnica Estadual de São Paulo), que deve sair no final do mês.

Mudar de carreira é uma possibilidade levantada por vários dos entrevistados.

O engenheiro de produção Ricardo Felicio, 27, foi dispensado no ano passado de um estaleiro e quer migrar para consultoria
O engenheiro de produção Ricardo Felicio, 27, foi dispensado no ano passado de um estaleiro e quer migrar para consultoria

Foto: BBC / BBCBrasil.com

A editora Ana Luiza pensa em jornalismo. O engenheiro de produção Ricardo Felicio, 27, foi dispensado no ano passado de um estaleiro e quer migrar para consultoria. Ele está fazendo um mestrado em negócios.

“A construção naval tem um futuro sombrio pela frente. Não tenho noção de quando vou voltar a trabalhar. O objetivo é ir para outra área sem dar um passo para trás.”

Carreira, carreira

A preocupação com a vida profissional da chamada geração Y (os nascidos entre os anos 1980 e meados de 1990) é fruto de um maior acesso a informação, de mais opções de carreira e de uma constante projeção do futuro, diz a professora Elisabete Adami, do curso de administração da PUC-SP.

Estudiosa desse grupo etário, a socióloga explica que ele é confrontado com inúmeras possibilidades e precisa pensar sobre elas. Além disso, tende a ficar pouco em postos onde não vê oportunidades.

“Eles saem quando não têm atendidas as expectativas de uma vida futura naquela organização. Dois anos é o tempo médio em que conseguem visualizar ou não sua trajetória ali.”

As reflexões sobre os rumos da carreira não são apenas geracionais. Segundo a professora do departamento de Administração da FEA-USP Tania Casado e diretora do escritório de desenvolvimento de carreiras da USP, momentos de crise levam as pessoas a investir na formação.

“Antigamente você aprendia uma coisa e ficava a vida inteira em cima daquilo. Agora que falta trabalho e sobra tempo, o profissional precisa se desenvolver.”

No entanto, pondera Tania, é necessário planejar as decisões. Não se deve fazer pós-graduação só para ter uma linha a mais no currículo.

“Olhe as coisas que têm sentido para você e o que o mercado precisa. Não adianta estudar para o que o mercado não pede.”

Trabalho

Parar tudo para estudar não é uma opção para boa parte dos brasileiros.

Formada em estilismo, Jeannye Doukan, 28, está dando suas últimas chances ao setor antes de procurar algo como recepcionista. Ela deixou a faculdade em abril, quando também ficou desempregada.

Diz que os cursos de especialização são muito caros e não pode ficar parada. Ela precisa ajudar no sustento da casa, onde mora com o pai e a filha. Para juntar algum dinheiro, tentou vender ilustrações pelo Facebook, mas ninguém comprou.

“Pego o emprego que puder ter. É chato, né. Trabalhava com recepção em 2006. Depois da faculdade, a gente pensa em estar trabalhando num lugar melhor, ganhando bem. Disseram que era só eu estudar e dar o meu melhor que ia dar certo, mas não é só isso.”

Com a crise, quebra-se a ideia de que ter ensino superior é suficiente para entrar no mercado.

A professora do departamento de Administração da PUC-SP Ana Lúcia Biral diz que nos últimos anos muitas pessoas passaram pela universidade, mas não havia lugar para todos. Entre 2004 e 2014, a porcentagem de estudantes entre 18 e 24 nos bancos universitários passou de 32,9% para 58,5%, segundo o IBGE.

“Tinha isso de abrir espaço para camadas mais pobres. De repente a bolha estoura e foi uma ilusão. Elas viram na faculdade a grande saída, a grande esperança. Mas o trabalho não seguiu na mesma proporção, ele encolheu.”

Ana Lúcia ressalta que quem mais sofre com essa quebra de paradigma são os mais pobres. Isso porque eles frequentaram universidades não tão boas e tiveram uma formação básica deficiente.

Segundo da família a ter ensino superior, seguindo os passos da irmã, Diego da Silva, 23, achava que não seria tão difícil entrar no mercado. Ele pegou o diploma há um mês, mas ainda não o usou. Diego preenche seus dias fazendo cursos gratuitos de vendas e de inglês pela internet. Aos finais de semana, faz bicos de garçom.

“Na faculdade, fiquei pouco tempo desempregado. Tinha sempre muita coisa. Agora a concorrência é alta.”

Desigualdade

As amigas Jennifer e Victoria foram procurar emprego juntas, mas reclamam que empregadores pedem experiência
As amigas Jennifer e Victoria foram procurar emprego juntas, mas reclamam que empregadores pedem experiência

Foto: BBC / BBCBrasil.com

Para as especialistas ouvidas pela BBC Brasil, o desemprego entre os jovens deve aumentar a distância entre ricos e pobres e as oportunidades dadas a cada um.

“É o momento em que as diferenças se agravam. O mercado estava absorvendo muita gente, até quem não tinha determinadas competências. Hoje as empresas estão surfando na onda do desemprego e podem escolher só os muito bem preparados.”

A perspectiva de igualdade que o país experimentava acabou, diz a professora de economia da PUC-SP Rosa Marques.

“Vivemos numa sociedade muito desigual, mas havia um horizonte de melhora. Houve frustração. A partir disso, a ruptura se intensifica.”

O que está prestes a romper-se são os planos das amigas Jennifer dos Santos e Victoria Alkminn, de 18 anos, moradoras da periferia de São Paulo.

Em uma quarta-feira, elas foram juntas procurar emprego e estavam desanimadas com o resultado.

Victoria quer cursar Pedagogia e Jennifer, Odontologia. A primeira conseguiu uma bolsa de 50% em uma universidade privada, mas precisa de um salário para bancar os estudos. A segunda está se preparando para o Enem.

As duas procuram algo em telemarketing ou recepção, e reclamam que os empregadores exigem um ano de experiência.

“Mas está muito difícil, viu, estou quase desistindo”, diz Jennifer.

O drama de Pizza, ‘o urso polar mais triste do mundo’, exibido em shopping na China

Ativistas em defesa de direitos de animais estão tentando libertar um urso polar que está sendo mantido em um shopping center na China.

As imagens que mostram o urso Pizza com uma expressão que parece ser de tristeza correram o mundo
As imagens que mostram o urso Pizza com uma expressão que parece ser de tristeza correram o mundo

Foto: BBC / BBCBrasil.com

Mais de 500 mil pessoas assinaram uma petição pelo fechamento do aquário em que vive, juntamente com outros animais.

O urso, chamado de Pizza, já recebeu o apelido de “urso polar mais triste do mundo” depois da divulgação de fotos e vídeos feitos no local.

Nas imagens, é possível ver o animal fechado em um espaço azul, deitado ou sentado, com o olhar distante, enquanto as pessoas param para tirar fotos.

Em um dos vídeos, divulgado pela organização Animals Asia, o urso parece estar chorando.

A ONG afirma que os donos do aquário “nem tentaram criar um ambiente que atenda às necessidades de um urso polar”.

Segundo a Animals Asia, Pizza vive em um espaço apertado onde não há “nada natural”.

Outros animais

Pizza é um dos animais que vivem no aquário inaugurado em janeiro no centro comercial Grandview, em Guangzhou.

Além do urso polar, o aquário também exibe baleias beluga, morsas, um lobo e raposas do ártico e, segundo a Animals Asia, todos eles vivem em espaços inadequados.

Segundo ONG, urso vive em espaço apertado em que não há "nada natural".
Segundo ONG, urso vive em espaço apertado em que não há “nada natural”.

Foto: BBC / BBCBrasil.com

Os proprietários do aquário dizem que já fizeram algumas melhorias nos espaços dos animais e pediram sugestões sobre isso à Animals Asia.

David Neale, diretor da ONG, disse ser crueldade manter os animais dentro do shopping.

“Nunca vai acontecer de um urso polar poder viver confortavelmente dentro de um shopping e certamente não será dentro de uma pequena caixa de vidro onde ele é mantido hoje”, disse Neale.

“No entanto, se permitirem, vamos trabalhar para melhorar o bem-estar dos animais.”

A Animals Asia afirma que está “trabalhando para os animais” e que não irá abandoná-los.

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