MEIO AMBIENTE

Gelo da Groenlândia está derretendo mais rápido do que se pensava (estudo)

Imagem da NASA Earth Observatory obtida em 22 de setembro de 2016 pela aeronave HU-25A Guardian, em 2 de setembro de 2016, mostra as geleiras Brückner e Heim, na Groenlândia© Fornecido por AFP Imagem da NASA Earth Observatory obtida em 22 de setembro de 2016 pela aeronave HU-25A Guardian, em 2 de setembro de 2016, mostra as geleiras Brückner e Heim, na GroenlândiaA camada de gelo altamente instável da Groenlândia está derretendo 7,6% mais rápido do que se pensava – disseram cientistas esta semana, depois de descobrirem um ponto sob a superfície da Terra que estava distorcendo seus cálculos.

Publicado na revista Science Advances, o estudo gera preocupações sobre o impacto crescente do derretimento do gelo na subida do nível do mar, uma vez que a Groenlândia é a segunda maior camada de gelo do mundo, depois da camada da Antártica.

De 2003 a 2013, a Groenlândia perdeu 2.700 gigatons (2.700 bilhões de toneladas métricas) de gelo, e não 2.500 gigatons como se pensava anteriormente.

Isso significa que a camada de gelo está perdendo anualmente cerca de 20 gigatons a mais do que afirmam as estimativas mais recentes.

A diferença de 7,6% foi descrita como “uma correção bastante modesta” pelo autor do estudo Michael Bevis, professor de Ciências da Terra da Universidade Estadual de Ohio.

“Isso não muda tanto as nossas estimativas de perda total de massa em toda a Groenlândia”, ressaltou Bevis.

“Mas isso traz uma mudança mais significativa para o nosso entendimento de em que parte da camada de gelo essa perda aconteceu, e onde ela está acontecendo agora”, acrescentou.

Usando dados de satélite, os pesquisadores descobriram que uma coluna quente de rocha parcialmente derretida no manto da Terra – que também alimenta os vulcões da Islândia – tinha suavizado a rocha sob a Groenlândia de uma maneira que levou os cientistas a subestimarem o derretimento.

Bevis descreveu a camada de gelo da Groenlândia como a “mais instável” do mundo e disse que as pesquisas mais recentes vão “levar a projeções mais bem informadas de aumento do nível do mar”.

Oceanos estão enfrentando uma extinção em massa sem precedentes

“Agora mesmo estamos decidindo, quase sem querer, quais caminhos evolutivos permanecerão abertos e quais serão fechados para sempre. Nenhuma outra criatura jamais havia feito isso, e será, infelizmente, nosso legado mais duradouro”. Elizabeth Kolbert definiu assim o papel que estão desempenhando os seres humanos em A Sexta Extinção, o livro que ganhou oPrêmio Pulitzer no ano passado. O título é bastante expressivo: nos quase 4 bilhões de anos de história da vida na Terra, ocorreram cinco megaextinções, momentos em que muitos dos seres vivos foram arrastados de repente para a desaparição por vários cataclismos. E agora, segundo todos os dados recolhidos pela ciência, a civilização humana está causando uma nova extinção em massa: somos como o meteorito que dizimou os dinossauros do planeta.

E as criaturas dos oceanos não vão conseguir se livrar. Estamos provocando a agonia de numerosas espécies marinhas e, como dizia Kolbert, escolhendo os seres aquáticos que ao desaparecerem deixarão de evoluir no futuro. A este ritmo, os grandes animais que vão povoar os mares dentro de milhões de anos não serão descendentes de nossas baleias, tubarões e atuns porque estamos matando todos eles para sempre. E do mesmo modo que odesaparecimento dos dinossauros deixou um vazio que demorou eras para ser preenchida pelos mamíferos, não sabemos o que vai ser da vida nos oceanos depois de serem arrasados.

“A eliminação seletiva dos maiores animais nos oceanos modernos, algo sem precedentes na história da vida animal, pode alterar os ecossistemas durante milhões de anos”, conclui um estudo apresentado nesta semana pela revistaScience. Liderado por pesquisadores de Stanford, o trabalho mostra como esta sexta extinção está acontecendo com os seres aquáticos de maior tamanho. Um padrão “sem precedentes” no registro das grandes extinções e que com muita segurança acontece por causa da pesca: hoje em dia, quanto maior o animal marinho, maior a probabilidade de se tornar extinto.

Como explicou para Materia o principal autor do estudo, Jonathan Payne, o nível de perturbação ecológica causada por uma grande extinção depende da percentagem de espécies extintas e da seleção de grupos de espécies que são eliminados. “No caso dos oceanos modernos, a ameaça preferente pelos de maior tamanho poderia resultar em um evento de extinção com um grande impacto ecológico porque os grandes animais tendem a desempenhar um papel importante no ciclo de nutrientes e nas interações da rede alimentar”, disse Payne, referindo-se a que os danos afetariam em cascata todos os ecossistemas marinhos.

Os cenários pessimistas preveem a extinção de 24% a 40% dos gêneros de vertebrados e moluscos marinhos; o cálculo mais trágico é comparável à extinção em massa do fim do Cretáceo, quando os dinossauros desapareceram, como explicado na revista Science.

O trabalho deste investigador da Universidade de Stanford e seu grupo foi analisar o padrão de desaparecimento de 2.500 espécies nos últimos milhões de anos. Até agora, o tamanho dos animais marinhos não tinha sido um fator determinante nos cataclismos anteriores, mas nos nossos dias existe uma notável correlação. Para os pesquisadores, é evidente que isso acontece por causa da forma de consumir ecossistemas própria dos seres humanos. Foi o que aconteceu com a extinção dos mamutes e agora acontece com a pesca: cada vez que entramos em um ecossistema primeiro acabamos com os pedaços maiores e à medida que os recursos ficam mais escassos vamos esgotando o resto dos recursos menores.

Os pesquisadores alertam que a eliminação desses animais no topo da cadeia alimentar poderia perturbar o resto da ecologia dos oceanos de forma significativa por, potencialmente, os próximos milhões de anos. “Sem uma mudança dramática na direção atual da gestão dos mares, nossa análise sugere que os oceanos vão sofrer uma extinção em massa de intensidade suficiente e seletividade ecológica para ser incluída entre as grandes extinções”, diz o estudo.

Este paleobiólogo defende que a visão positiva de sua descoberta é que as espécies ameaçadas ainda podem ser salvas da extinção com políticas de gestão eficientes e, a longo prazo, abordando os impactos do aquecimento global e da acidificação dos oceanos. “Podemos evitar esse caminho; com uma gestão adequada, seria possível salvar muitas dessas espécies da extinção”, afirma Payne.

Mariana: TCU vê omissão em tragédia

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) foi “falho e omisso” ao fiscalizar a segurança das barragens brasileiras, contribuindo para a tragédia de Mariana (MG), em 5 de novembro do ano passado. A conclusão consta de relatório sigiloso da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU), ao qual o Estado teve acesso. O documento aponta que a autarquia não foi capaz de garantir a implementação, pela mineradora Samarco, dos padrões exigidos pela Política Nacional de Segurança de Barragens, em vigor desde 2010.

ctv-cya-mariana: Para agentes do tribunal, a atual classificação de risco precisa ser revista© Fornecido por Estadão Para agentes do tribunal, a atual classificação de risco precisa ser revistaSegundo a auditoria, solicitada pelo Senado Federal cinco dias após o rompimento da Barragem de Fundão, o fracasso institucional do DNPM – consequência de falta de planejamento, de pessoal e de recursos financeiros – mantém aceso o alerta para o “risco latente e potencial de novos acidentes envolvendo barragens de rejeitos de mineração no País”. O texto deve ser votado hoje pelos ministros. Procurado por meio da assessoria de imprensa, o DNPM não se manifestou.

Técnicos da Secretaria de Fiscalização de Infraestrutura de Petróleo, Gás Natural e Mineração do TCU concluíram que o controle das documentações de segurança exigidas por lei das empresas – em especial o plano de ação de emergência – “não é realizado de forma sistemática e rotineira”, denotando “fragilidade e precariedade” do DNPM, que teria uma estrutura “deficiente”.

O relatório afirma que, nos últimos seis anos, as despesas discricionárias da autarquia, nas quais estão incluídas as relativas às atividades de fiscalização, estão em declínio progressivo. Além disso, o atual quadro de servidores equivale a apenas 62% do ideal. O maior déficit de pessoal está justamente na superintendência de Minas: para atender à demanda de trabalho da unidade, seriam necessários 384 funcionários. Só há 79.

Risco

Até os critérios de classificação de risco são questionados pelos técnicos do TCU. Eles argumentam que a catalogação das barragens em alto, médio ou baixo risco – como a de Fundão era qualificada – tem por base informações declaradas unicamente pelas mineradoras. “Sem análise crítica” dessas informações pela autarquia, os dados seriam pouco confiáveis. “Seguro alegar que o DNPM não detinha, à época do acidente, conhecimento acerca da situação real da barragem”, continua o relatório, que critica ainda a falta de conhecimento especializado dos técnicos do órgão – o que impede avaliações mais aprofundadas das situações das barragens. Atualmente, as vistorias são simples check-list.

Apesar de sinalizar os pontos em que a atividade do DNPM tem sido insatisfatória, o relatório recomenda que não se individualize condutas e responsabilidades pela tragédia, que deixou 18 mortos e 1 desaparecido, além de causar danos ambientais irreversíveis ao Rio Doce. “A negligência no trato com os deveres previstos em lei está entranhada na instituição.”

Também falta integração entre o órgão central do DNPM e as superintendências regionais. “Como resultado, verificou-se que apenas 35% das barragens classificadas como de alto risco foram fiscalizadas de 2012 a 2015”, pontua o texto, que enfatiza a falta de um sistema nacional de armazenamento de informações. “Dados decorrentes das fiscalizações permanecem regionalizados e fragmentados dentro de cada superintendência, prejudicando uma visão global, pelo DNPM, da situação da segurança de barragens de rejeitos no Brasil.”

Os auditores recomendam que se instituam novos procedimentos de acompanhamento, controle e avaliação das fiscalizações realizadas em todo o País, como a implementação de metas e indicadores de qualidade e a padronização de atividades como análises e pareceres técnicos. “Caso a fiscalização não seja aprimorada, o controle exercido pelo departamento não contribuirá para evitar ou mitigar eventuais consequências de novas tragédias, como a que se viu na Barragem de Fundão”, conclui o relatório.

Uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Projeto Onçafari, organização sem fins lucrativos de preservação de onças-pintadas, concluiu no início de junho a primeira experiência bem sucedida de reintrodução da espécie na natureza. As irmãs Isa e Fera, fêmeas de pouco mais de dois anos de idade, perderam a mãe em 2014, em Corumbá (MS), e desde então, até voltarem aos alagados e matas pantaneiros, foram criadas sob a supervisão de pesquisadores do ICMBio e do Onçafari e com suporte financeiro de empresários ligados ao projeto.

Ao contrário do que normalmente ocorre quando animais da espécie são resgatados nestas circunstâncias natureza, as duas onças não foram criadas em cativeiros comuns, de onde costumam ser levadas a jaulas de zoológicos mundo afora. Sem a mãe, a quem cabe ensinar os filhotes a caçar, Isa e Fera foram encaminhadas a um centro de reabilitação animal em Amparo, no interior de São Paulo, onde passaram cerca de cinco meses, até serem alocadas no Refúgio Ecológico Caiman, uma fazenda com área equivalente a 53.000 campos de futebol voltada ao ecoturismo e à preservação ambiental na cidade de Miranda (MS). Há na região cerca de 70 onças-pintadas, todas acompanhadas em algum momento da vida pelo Onçafari, que viu nascer cerca de 25 filhotes.

Em uma área de 10.000 m² construída na propriedade, delimitada por cercas elétricas e telas de mais de quatro metros de altura e que reproduz o Pantanal com matas, lagoas e a vegetação rasteira, as onças foram “treinadas” durante um ano para a volta à vida selvagem. A construção do recinto custou cerca de dois milhões de reais, bancados por patrocinadores do Onçafari e de empresários que “adotaram” Isa e Fera.

Sem nenhuma mordomia, as irmãs tinham de usar seus instintos para caçar animais como capivaras, queixadas, coelhos e jacarés, capturados pelo ICMBio na natureza e colocados dentro do recinto onde estavam os felinos. “Para a onça poder começar a caçar, e a gente fazer o papel de mãe, não adianta dar um filé para ela comer. Elas tinham que caçar animais que fossem encontrar quando fossem soltas. Sem isso, esses bichos nunca estariam preparados para viver sozinhos”, diz o pesquisador Rogério Cunha, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), vinculado ao ICMBio.

Segundo Cunha, embora tenha havido críticas à captura de animais silvestres para o “abate” pelas onças, a prática foi aprovada por comitês de ética.

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Para não repetirem a principal falha de um projeto de reintrodução anterior, em Goiás, em que as onças foram soltas e depois tiveram de ser recapturadas para evitar ataques, os pesquisadores monitoraram o comportamento de Isa e Fera por meio de câmeras e as isolaram de qualquer contato direto com humanos. “O principal era elas não associarem os biólogos, o ser humano, a comida. Esse é o grande erro. Cortamos completamente a relação, nos locais onde se colocavam as presas, havia placas. Elas não viam gente durante o processo”, afirma Rogério Cunha.

A partir do monitoramento das onças no habitat natural por meio de coleiras eletrônicas, o pesquisador cita três pontos que atestam o sucesso da experiência até agora: Isa e Fera são arredias a carros e pessoas em estradas, ambas conseguem caçar e se alimentar de outros animais e estabeleceram território sem disputas com outras onças – as irmãs estão tão enturmadas que uma delas já até cruzou com um macho da região.

“Se acontecer alguma coisa com elas hoje em dia, vai ser alguma coisa que aconteceria com qualquer onça selvagem”, diz, a respeito da adaptação de Isa e Fera à nova vida, o ex-piloto de Fórmula Indy Mário Haberfeld, criador e coordenador do Projeto Onçafari.

Para Haberfeld, o sucesso na reambientação das onças na natureza pode ser usado para evitar a extinção destes animais em biomas brasileiros onde eles vivem e estão ameaçados. “Talvez não seja o caso crítico no Pantanal e na Amazônia, onde há relativamente muitas onças, mas em biomas como a Caatinga e a Mata Atlântica, onde as onças estão ameaçadas de extinção, isso (reintrodução) pode ser uma forma de aumentar a população de novo. Provou-se que é possível salvar onças em outros biomas do Brasil e até em outros países onde elas ocorrem”.

Juíza quer perícia em área da Samarco para avaliar novos riscos

Alguns estados de EUA como Utah já provaram os fins de semana de três dias.© Barbara Woike Alguns estados de EUA como Utah já provaram os fins de semana de três dias.
Quase todo mundo gosta de feriados. Um fim de semana de três dias significa mais tempo para passar com a família ou amigos, para sair e explorar o mundo e para relaxar das pressões do trabalho. Imaginem se tivéssemos um fim de semana de três dias por semana, em vez de tê-lo apenas de vez em quando ao longo do ano. Não é apenas uma ideia agradável. Além das possibilidades para o tempo livre, os fins de semana de três dias também podem ser um dos passos mais simples que podemos dar para reduzir radicalmente nosso impacto ambiental e preparar nossa economia para o futuro.

A redução do número de horas de trabalho, geralmente, está relacionada a uma redução significativa no consumo de energia, como argumentam os economistas David Rosnick e Mark Weisbrot. De fato, se os norte-americanos, por exemplo, tivessem os níveis de horas de trabalho europeus, estima-se que reduziria em cerca 20% o consumo de energia e, consequentemente, asemissões de carbono.

Com uma semana de quatro dias, um enorme número de deslocamentos para e do trabalho poderia ser evitado, assim como o gasto de energia dos locais em funcionamento. Em um momento em que precisamos reduzir as emissões de carbono em grande escala, implementar um fim de semana de três dias poderia ser a maneira mais simples e elegante de tornar nossa economia mais respeitosa em relação ao meio ambiente.

O exemplo de Utah

Isso já aconteceu antes. Por exemplo, em 2007, o Estado de Utah, nos Estados Unidos, redefiniu a semana de trabalho para os funcionários públicos, estendendo os horários de segunda a quinta-feira, podendo assim eliminar totalmente as sextas-feiras. Nos primeiros dez meses, a iniciativa economizou ao estado pelo menos 1,8 milhão de dólares (cerca de 5,9 milhões de reais) em custos de energia. Menos dias de trabalho eram equivalentes a menos iluminação dos escritórios, menos ar condicionado e menos tempo de funcionamento de computadores e outros equipamentos, tudo sem mesmo reduzir o número total de horas trabalhadas.

Um dia por semana, milhares de pessoas que viajam diariamente de casa para o local de trabalho poderiam ficar em casa. Se fosse incluída a redução das emissões de gases de efeito estufa causadas pelo deslocamento, o estado calculou uma economia de mais de 12.000 toneladas de CO2 por ano.

Utah desistiu do experimento em 2011, depois que os habitantes do Estado começaram a se queixar que não tinham mais acesso aos serviços às sextas-feiras. Parece que é um tipo de inovação que tem de ser acompanhada por uma mudança em nossas expectativas, de forma que a sexta-feira se torne o “terceiro dia do fim de semana”, em vez de um mero dia útil sem trabalho. O caso de Utah mostra que, reproduzido em um país inteiro, a semana de quatro dias poderia representar um progresso substancial em direção a uma economia que é menos prejudicial ao meio ambiente.

Mas também haveria outras vantagens. Trabalhar menos melhoraria o frágil equilíbrio entre a vida profissional e familiar, e nos ajudaria a recuperar nossa saúde mental e bem-estar físico. Além disso, permitiria ter mais tempo para se dedicar a atividades sociais, cuidar de crianças e idosos e interagir com nossas comunidades. Os experimentos com horas laborais reduzidas em locais de trabalho selecionados realizados na Suécia, em 2015, levaram a uma redução das doenças e até mesmo aumentaram a produtividade.

Destinar a melhoria da eficiência econômica a ter mais tempo livre e a reduzir o consumo de energia em vez de produzir mais bens poderia dar lugar a um mundo melhor e mais seguro no que se refere ao meio ambiente.

Uma objeção óbvia poderia ser: “Como vamos nos permitir isso?”. Mas há importantes razões econômicas e tecnológicas pelas quais tanto os Governos como os partidos políticos, as fundações e os movimentos sociais deveriam começar a pensar em defender a colocação em prática dos fins de semana de três dias.

Como argumentou recentemente o antropólogo David Graeber, muitos de nós trabalhamos em empregos que, ao que parece, não servem para nada. De fato, há tempos os economistas estão conscientes das horas supérfluas contidas em muitas jornadas de trabalho, nas quais os empregados estão efetivamente subutilizados em seu posto de serviço, mas não podem ir embora por causa da persistente questão do “presentismo”, pela qual os chefes valorizam os trabalhadores conforme as horas que passam no local de trabalho mais do que por sua produtividade. Em vez de trabalhar mais horas com poucos resultados produtivos poderíamos adotar uma semana laboral mais curta e contribuir para salvar nosso planeta e nosso bem-estar.

De uma perspectiva mais de longo prazo, prevê-se que, nas próximas décadas, uma nova onda de mecanização do trabalho na qual intervirão a robótica avançada e os sistemas de aprendizagem automática substitua 47% dos atuais postos de trabalho nos Estados Unidos e 54% na Europa. Nessas circunstâncias, nas quais se terá significativamente menos acesso ao emprego, adotar medidas como os fins de semana de três dias se torna algo essencial para que a vida seja viável em condições econômicas diferentes.

Como sustentamos em nosso livro Inventing the Future [Inventar o Futuro], logo a mecanização nos oferecerá a perspectiva de um mundo laboral muito diferente. Seu aumento incrementará a eficácia de muitos processos produtivos, utilizando menos energia e menos força de trabalho humana, até que, no final, fiquemos liberados em grande parte do trabalho.

A chave para colher os frutos da mecanização sem transtornos sociais drásticos depende em parte de que sejam postas em prática políticas que promovam a participação nos lucros. Isso significa uma semana laboral mais curta graças à ampliação do fim de semana, e ao mesmo tempo uma renda básica universal.

Nada disso acontecerá da noite para o dia. Mas, se estiverem no Reino Unido e tiverem a sorte de ter a segunda-feira livre, não se esqueçam de que esse dia extra em casa ou no parque não serve só para diversão, mas contribui para combater as mudanças climáticas.

Ursos polares estão ficando sem gelo no Ártico

Calcula-se que a população total de ursos polares (Ursusmaritimus) seja de cerca de 25.000 indivíduos© Fornecido por AFP Calcula-se que a população total de ursos polares (Ursusmaritimus) seja de cerca de 25.000 indivíduosOs ursos polares estão ficando sem a camada de gelo indispensável para a sua sobrevivência em 19 regiões do Ártico – adverte um estudo publicado nesta quarta-feira (14).

Devido às mudanças climáticas, a banquisa (água do mar congelada) que se forma nas regiões polares está derretendo mais cedo na primavera e se formando mais tardiamente no outono, afirmaram pesquisadores da revista Cryosphere, da União Europeia de Geociências (EGU).

Entre 1979 e 2014, o Ártico perdeu de 7 a 19 dias de gelo por década nessas 19 regiões, revelaram imagens de satélite.

“Devido à dependência (dos ursos) do gelo marinho, as mudanças climáticas constituem a principal ameaça para sua sobrevivência”, alerta o relatório.

Calcula-se que a população total de ursos polares () seja de cerca de 25.000 indivíduos.

Convertidos em símbolo dos estragos das mudanças climáticas, esses grandes carnívoros permanecem a maior parte do tempo na banquisa, onde caçam, descansam e se reproduzem.

Quando o gelo derrete, voltam à terra firme e sobrevivem apelando às suas reservas de gordura durante períodos que estão se tornando cada vez mais longos.

Além disso, os ursos polares têm de nadar distâncias cada vez maiores antes de encontrar um lugar para se instalar.

Esses animais dependem da camada de gelo principalmente para caçar focas, sua presa favorita, visto que têm dificuldades para agarrá-las enquanto nadam.

O Ártico está aquecendo duas vezes mais rápido do que o restante do planeta sob o efeito das mudanças climáticas geradas pelas emissões de gases do efeito estufa. Esses gases resultam em grande parte da combustão de energias fósseis pelos seres humanos em um planeta superpovoado.

Os ursos polares podem perder um terço da sua população até meados do século XXI, advertiu em 2015 a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que por enquanto os classifica entre as espécies “vulneráveis”.

Urso polar “mais triste do mundo” pode ganhar nova casa

Urso polar é mantido preso dentro de shopping de Guangzhou, na China, para fazer selfies com os visitantes© image/jpeg Urso polar é mantido preso dentro de shopping de Guangzhou, na China, para fazer selfies com os visitantes

O “urso polar mais triste do mundo”, residente de um controverso parque temático em Guangzhou, no sul da China, pode ganhar uma nova casa no Reino Unido. Após petições e protestos para pedir o fechamento do aquário Grandview, localizado dentro de um shopping center chinês, o Parque de Vida Selvagem de Yorkshire se ofereceu para receber Pizza, o urso, em um habitat especialmente desenvolvido para sua espécie.

Aberto em janeiro, o aquário Grandview foi denunciado por diversas instituições de defesa dos direitos dos animais por ser considerado uma “prisão” para os bichos. O grupo Animals Asia chegou a coletar meio milhão de assinaturas em uma petição contra o local no início do ano. Conhecido por sua expressão de constante tristeza, Pizza é a atração mais fotografada e fica exposto para selfies com os visitantes.

“A boa notícia para o Grandview é que agora eles têm a chance de corrigir seu erro”, afirmou Dave Neale, diretor de bem-estar animal da Animals Asia. “Graças à incrível oferta do Parque de Vida Selvagem de Yorkshire pode haver um final feliz”, comentou. De acordo com a rede CNN, um porta-voz do aquário afirmou que ainda não recebeu uma proposta formal do parque inglês.

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Gato é resgatado de escombros 15 dias após terremoto na ItáliaSegundo jornal chinês People’s Daily, Pizza vive em um aquário de menos de 40 metros quadrados, apenas com uma piscina rasa e com a presença constante de visitantes que batem nos vidros para chamar a sua atenção. O gerente do Grandview, Li Chengtang, disse a imprensa estatal que é “difícil julgar o espaço apropriado para os animais já que a China não tem leis sobre esse tema”. No momento, o estabelecimento está sendo investigado pelo Escritório de Pesca e Oceanos de Guangzhou, devido a morte animais no local.

De acordo com o parque de Yorkshire, a oferta para receber Pizza obriga que o Grandview não o substitua com outro urso polar ou animal de tamanho semelhante. Além disso, nenhum pagamento está sendo oferecido pelo urso, por medo de o dinheiro seja usado para adquirir outros bichos. Segundo a Animals Asia, se a oferta for aceita, os custos da transferência seriam arrecadados pela ONG e processo conduzido pelo parque, que tem experiência no transporte internacional de animais.

França proíbe venda de copos e pratos plásticos descartáveis

Oceanos enfrentam extinção em massa sem precedentes

A França tornou-se o primeiro país do mundo a proibir a venda de copos, taças, pratos, talheres e outros utensílios descartáveis de plástico.

A nova lei segue uma proibição total de sacolas plásticas aprovada em julho e é parte do projeto Transição Energética para o Crescimento Verde, um plano para tornar o país um dos líderes mundiais na adoção de práticas de redução de impacto ambiental e das emissões de gases de efeito estufa.

Aprovada no mês passado, a medida passará a valer integralmente em 2020, o que dá bastante tempo para os fabricantes e estabelecimentos comerciais, incluindo restaurantes e supermercados, se adequarem às novas regras.

Mas isso não significa o fim dos utensílios descartáveis. Segundo a nova lei, esses produtos deverão ser 50% constituídos por materiais de origem vegetal e serem biodegradáveis. Esses materiais incluem, em particular, amido de milho, amido de batata, fibras têxteis ou de celulose, ou de bambu. Cinco anos depois, em 2025, o conteúdo vai aumentar para 60%.

França diz "Au revoir plastiques": aprovada no mês passado, a medida passará a valer integralmente em 2020.© Thinkstock França diz “Au revoir plastiques”: aprovada no mês passado, a medida passará a valer integralmente em 2020.Com a investida, o país espera reduzir o impacto ambiental do plástico convencional, derivado de petróleo, que leva várias décadas para se decompor e é frequentemente associado a substâncias que podem ser tóxicas. Além disso, é esperada uma redução dos custos com energia para reciclagem dos utensílios descartáveis.

De acordo com a AFP, organizações ambientalistas elogiaram a lei francesa e esperam que ela sirva de exemplo para outros países, porém críticos argumentam que a proibição de produtos prejudica os consumidores e que as medidas francesas violam as regras da União Europeia sobre a livre circulação de mercadorias.

Estimativas apontam que 4,7 bilhões de utensílios plásticos foram descartados na França em 2015 apenas, e cerca de 17 bilhões de sacolas plásticas usadas anualmente em supermercados de todo o país.

Juíza quer perícia em área da Samarco para avaliar novos riscos

Responsabilidade por Mariana também é do governo, diz ONU: O distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, foi devastado pela lama© Fornecido por Estadão O distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, foi devastado pela lama

A juíza da 12.ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, Rosilene Maria Clemente de Souza Ferreira, quer que seja feita uma perícia nas estruturas que restaram da Samarco em Mariana para saber se suportarão o próximo período de chuvas, que normalmente se inicia em outubro. “Confesso que isso me tira o sono”, disse.

O posicionamento da juíza foi repassado a representantes da empresa e de suas proprietárias, Vale e BHP Billiton, nesta terça-feira, 13, na primeira audiência de conciliação dentro do processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF) que pede R$ 155 bilhões às empresas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em 5 de novembro de 2015, que matou 18 pessoas e deixou uma desaparecida.

A advogada da Samarco, Eliane Carvalho, disse durante a audiência que as estruturas existentes hoje conseguem evitar o carregamento da lama que ainda existe no complexo da Samarco para o Rio Doce. Ela afirmou que uma novo dique, chamado de S4, precisa ser construído para evitar novas descidas de rejeitos durante o período de chuvas.

Patrimônio

A construção dessa estrutura, conforme a advogada, tem posição contrária do Ministério Público Estadual (MPE) por afetar patrimônio histórico, como um muro construído no século 18. Sem especificar qual porção do muro seria atingida, a advogada admitiu que parte poderá ficar submersa “por algum tempo”. Apesar do posicionamento da juíza em relação ao período de chuvas, ainda não houve despacho oficial nesse sentido.

Ao longo da audiência, a Samarco pediu à juíza que determinasse imediatamente a entrada da Samarco em áreas particulares próximas do local em que o dique S4 deveria ser construído. A empresa alega que já tentou, sem sucesso, comprar as áreas.

O advogado-geral do Estado, Onofre Alves Batista Júnior, disse haver “risco iminente” de novas descidas de lama caso a obra não seja feita, mas que estudos indicam que o S4 só mitiga o problema. “Se é fundamental, tem de ser construído.” Segundo ele, a desapropriação pode ser feita por decreto, mas com indenização paga pela Samarco. Para o coordenador da força-tarefa do MPF em Mariana, José Adércio Leite Sampaio, o dique é “solução de mineradora”. “O Estado e a União são reféns da Samarco.” A juíza se mostrou favorável ao S4.

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