MEIO AMBIENTE

Gelo da Groenlândia está derretendo mais rápido do que se pensava (estudo)

Imagem da NASA Earth Observatory obtida em 22 de setembro de 2016 pela aeronave HU-25A Guardian, em 2 de setembro de 2016, mostra as geleiras Brückner e Heim, na Groenlândia© Fornecido por AFP Imagem da NASA Earth Observatory obtida em 22 de setembro de 2016 pela aeronave HU-25A Guardian, em 2 de setembro de 2016, mostra as geleiras Brückner e Heim, na GroenlândiaA camada de gelo altamente instável da Groenlândia está derretendo 7,6% mais rápido do que se pensava – disseram cientistas esta semana, depois de descobrirem um ponto sob a superfície da Terra que estava distorcendo seus cálculos.

Publicado na revista Science Advances, o estudo gera preocupações sobre o impacto crescente do derretimento do gelo na subida do nível do mar, uma vez que a Groenlândia é a segunda maior camada de gelo do mundo, depois da camada da Antártica.

De 2003 a 2013, a Groenlândia perdeu 2.700 gigatons (2.700 bilhões de toneladas métricas) de gelo, e não 2.500 gigatons como se pensava anteriormente.

Isso significa que a camada de gelo está perdendo anualmente cerca de 20 gigatons a mais do que afirmam as estimativas mais recentes.

A diferença de 7,6% foi descrita como “uma correção bastante modesta” pelo autor do estudo Michael Bevis, professor de Ciências da Terra da Universidade Estadual de Ohio.

“Isso não muda tanto as nossas estimativas de perda total de massa em toda a Groenlândia”, ressaltou Bevis.

“Mas isso traz uma mudança mais significativa para o nosso entendimento de em que parte da camada de gelo essa perda aconteceu, e onde ela está acontecendo agora”, acrescentou.

Usando dados de satélite, os pesquisadores descobriram que uma coluna quente de rocha parcialmente derretida no manto da Terra – que também alimenta os vulcões da Islândia – tinha suavizado a rocha sob a Groenlândia de uma maneira que levou os cientistas a subestimarem o derretimento.

Bevis descreveu a camada de gelo da Groenlândia como a “mais instável” do mundo e disse que as pesquisas mais recentes vão “levar a projeções mais bem informadas de aumento do nível do mar”.

Dupla de elefantas volta à natureza e inaugura primeiro santuário para a espécie da América Latina

ctv-pna-elefantes-div: Elefantas ganharam casa nova em MT© Fornecido por Estadão Elefantas ganharam casa nova em MT

Duas elefantas que antes eram atração de circos voltaram à natureza nesta quinta-feira, 13, em Mato Grosso. Elas inauguraram o primeiro santuário de elefantes da América Latina, localizado na Chapada dos Guimarães, a 65 quilômetros de Cuiabá.

Maia e Guida chegaram ao santuário na terça-feira, 11, e passaram dois dias no Centro de Tratamento Médico. Nesta quinta, elas foram liberadas da área limitada e brincaram com a terra e tomaram banho com as trombas.

As duas elefantas foram confiscadas de um circo na Bahia e viviam há seis anos em Paraguaçu, no sul de Minas Gerais. Maia, que tem cerca de 44 anos, e Guida, de 42 anos, terão cuidado de veterinários. “Sociedades ao redor do mundo estão começando a perceber a traumas que causaram esses animais”, disse Scott Blais, um americano que já havia colaborado com uma iniciativa parecida nos Estados Unidos e ajudou a fundar o santuário.

Blais e sua esposa estão há dois anos no Brasil, devido à grande quantidade de terra e a necessidade de encontrar um lugar para elefantes na América Latina. Há uma estimativa de que mais de 50 elefantes que vivem cativeiros na América do Sul possam habitar o local.

A fazenda, de 1,1 mil hectares, foi adquirida por meio de doações de organizações internacionais especificamente para abrigar elefantes. O espaço passa a receber animais resgatados em situação de risco e oferecerá os cuidados necessários para que possam se recuperar física e emocionalmente da vida em cativeiro. No momento, as elefantas terão acesso a uma área de meio hectare, enquanto não é estruturada a segundo parte.

No santuário, haverá câmeras que permitirão a cientistas e curiosos abservar os animais sem importuná-los. Especialistas dizem que os elefantes não sobreviveriam se soltados em sua terra-natal, no caso na Ásia, já que passaram a vida inteira em cativeiro. Para resolver o problema, santuários já foram criados nos Estados Unidos, na Tailândia, na Malásia e, agora, no Brasil. // COM INFORMAÇÕES DA ASSOCIATED PRESS

Brasil tem menos mortes por poluição do ar que outros emergentes, mas ‘tendência é de piora’

São Paulo© Fornecido por BBC World Service Trading Limited São Paulo

Um estudo divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta terça-feira revela que 92% da população mundial vive em áreas que excedem os níveis de poluição recomendados. Os países pobres e em desenvolvimento são os que mais sofrem com o problema.

Dentre os emergentes do grupo Brics, o Brasil tem o desempenho menos negativo, com 14 mortes por ano ligadas à poluição do ar para cada 100 mil habitantes. China, Rússia, Índia e África do Sul têm respectivamente 70, 61, 68 e 39 mortes para cada 100 mil habitantes.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, uma matriz energética renovável, políticas de contenção de emissões e investimentos em transporte alternativo e público contribuíram para o desempenho positivo brasileiro.

A tendência, porém, é de piora nesse ranking, pois os dados base são de 2012, e, atualmente, os outros emergentes vêm dando mais atenção ao tema do que o Brasil.

Pobres e emergentes

A cada ano, cerca de três milhões de pessoas morrem por doenças associadas à poluição do ar em espaços abertos. A grande maioria desses óbitos ocorre em países pobres ou em desenvolvimento com políticas públicas que não priorizam o acesso a tecnologias limpas e onde a industrialização ocorre de maneira desregulada.

“A poluição do ar segue custando caro à saúde das populações mais vulneráveis – mulheres, crianças e idosos”, lamentou Flávia Bustreo, diretora-geral assistente do órgão.

“Me impressiona muito que mais de 90% da população esteja exposta à poluição nociva”, disse à BBC Brasil, o médico brasileiro Carlos Dora, coordenador do departamento de Políticas Públicas, Meio Ambiente e Determinantes Sociais de Saúde da OMS.

Dora avalia que o Brasil está em uma etapa intermediária em relação ao resto do mundo, atrás da América do Norte e da Europa, porém à frente de Ásia, Oriente Médio e África.

“O Brasil não é dos piores, mas ainda poderia melhorar bastante”, afirma. Frente a outros emergentes, o país estaria numa posição mais confortável por conta, principalmente, da sua matriz energética, que é renovável, proveniente de hidroelétricas.

“A China, por exemplo, ainda queima muito carvão, o que é altamente poluente”, exemplifica Dora.

Trânsito em Nova Déli© Fornecido por BBC World Service Trading Limited Trânsito em Nova DéliProfessora do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP, Maria Andrade explica que, além da questão energética, o Brasil implementou na virada dos anos 1980 para 1990 um programa nacional de controle de emissões de gases por veículos – o Proconve – que deu resultado.

“Nas áreas urbanas houve, depois do Proconve, uma redução na poluição significativa, apesar do aumento da frota. O que se precisa agora é controlar a queima de biomassa, a queima de florestas”, aponta.

Andrade menciona ainda que controles nas indústrias e o desenvolvimento de tecnologias de combustíveis, para a redução das emissões de enxofre, também contribuíram à melhora nas últimas décadas.

Atualmente, as principais fontes de poluição do ar no Brasil são as queimadas no campo, as emissões de veículos nas áreas urbanas e as indústrias, elencou a professora da USP.

São Paulo

Em um ranking de grandes metrópoles emergentes, São Paulo e Buenos Aires aparecem como as que têm a melhor qualidade de ar, segundo dados do período de 2011 a 2015 da OMS.

A maior cidade da América do Sul teve um desempenho melhor que, nessa ordem, Cidade do México, Istambul, Xangai, Pequim, Mumbai, Calcutá, Dhaka, Cairo e Nova Déli. Lanterna dos emergentes, a capital da Índia chega a ter uma qualidade de ar cinco vezes pior do que a metrópole paulistana.

“Quando você compara com esses lugares, você vai perceber que aqui está muito melhor”, avalia Andrade. “Mas ainda temos problemas com partículas secundárias, como ozônio, e partículas mais finas.”

“São Paulo está num nível intermediário, o que é muito melhor que essas outras cidades do mundo em desenvolvimento”, diz Carlos Dora.

Ele credita o bom posicionamento da capital paulista à expansão do sistema de transporte público e à implementação de alternativas verdes, como as ciclovias.

“Há varios questionamentos quanto às ciclovias, mas qualquer política que estimule meios de transportes alternativos e mais limpos é super bem-vinda do ponto de vista do meio ambiente”, afirma Maria Andrade.

Segurança em Pequim© Fornecido por BBC World Service Trading Limited Segurança em Pequim

Tendências

Já Dora avalia que, no cenário global, o Brasil está sendo ultrapassado por outros países emergentes, como a China, que vêm dando maior ênfase à qualidade do ar.

“Existe liderança em exemplos de ações no transporte público do Brasil, mas de forma geral a China está à frente. Eles estão tomando medidas mais drásticas, inovadoras e estão avançando mais. Estão investindo muito mais”, afirma.

“Esse investimento também é bom para os negócios. A lógica não é só ecológica.”

Maria Andrade, por sua vez, vê com incerteza o futuro da “economia verde” no Brasil, dado o cenário de instabilidade política atual. “Em geral, quando se está em fase de crise econômica, (os temas ligados ao meio ambiente) passam a não ser tão prioritários.”

“Não vejo tantos grupos trabalhando para sugerir idéias de melhorias (…) está tudo meio parado; prova disso é que você praticamente não vê o assunto em pauta na propaganda eleitoral”, diz.

Queimada no Brasil© Fornecido por BBC World Service Trading Limited Queimada no Brasil

Estudo

O estudo, que revisou dados entre 2010 e 2015, apontou que apenas uma em cada dez pessoas no mundo vive em áreas cujo ar pode ser considerado limpo de acordo com os padrões da OMS.

A compilação dos dados baseou-se em amostragens provenientes de três mil localidades de perfil predominantemente urbano no planeta. Juntas, as populações das regiões estudadas somam 1,6 bilhão de pessoas, ou 43% da população urbana mundial.

As pesquisas que serviram de base ao relatório avaliaram a presença de “partículas de matéria” (PM) no ar, que tivessem um diâmetro menor que 10 ou 2,5 micrômetros (PM 10 e PM 2.5). Os principais ingredientes presentes no composto PM são sulfatos, nitratos, amônia, cloreto de sódio, carvão negro, poeira mineral e água.

O estudo reconhece que, apesar de outros componentes estarem mais comumente associados à toxicidade da poluição – monóxido de carbono, dióxidos sulfúricos e ozônio, por exemplo -, para uma comparação mundial equivalente foi necessário optar por um parâmetro universal. O composto PM é o que possui mais extensa literatura científica nesse sentido.

As partículas a partir de 10 micrômetros de diâmetro (PM 10) são consideradas extremamente nocivas, pois podem penetrar e se alojar nos pulmões, dando origem a enfermidades sérias.

Diversas doenças estão associadas de maneira ampla à poluição, mas o estudo se ateve apenas a acidente vascular cerebral (AVC, ou derrame), isquemia cardiovascular, câncer de pulmão e infecções agudas do sistema respiratório inferior (pneumonia).

O órgão das Nações Unidas vem coletando dados de PM10 e PM2,5 desde 2011, na esperança de entender melhor o problema e promover a redução do impacto da poluição global na saúde das populações.

OMS: 9 em cada 10 pessoas no globo respiram ar poluído

Graças aos novos dados existentes, os especialistas esperam poder alentar os Estados a realizar mais esforços para reduzir a contaminação do ar: Gases poluentes© image/jpeg Gases poluentesUm relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado nesta terça-feira (27), advertiu que ao menos 92% dos habitantes do planeta vivem em locais onde a qualidade do ar não se enquadra nos padrões fixados pela organização. A OMS estima que, a cada ano, cerca de 3 milhões de mortes estão relacionadas à exposição de agentes contaminantes no ar.

“É necessário, de forma urgente, a adoção de medidas como transporte sustentável, gestão de rejeitos sólidos, uso de energias renováveis e a redução das emissões industriais para se enfrentar a contaminação do ar”, afirma Maria Neira, diretora do departamento de Saúde Pública da OMS.

No relatório, baseado em dados vindos de mais de 3.000 locais rurais e urbanos, o órgão conclui que 9 entre 10 pessoas no mundo vivem onde os níveis da qualidade do ar não correspondem ao padrão em relação a partículas finas em suspensão, de menos de 2,5 micrômetros. Estas partículas “incluem contaminantes como os sulfatos, os nitratos e a fuligem, que penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, o que representa um risco grave para a saúde humana”, segundo o órgão.

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Poluição atmosférica pode matar 6,6 milhões por ano até 2050, diz estudo

Poluição no ar de Pequim atinge nível extremamente perigoso

De acordo com dados da organização em 2012, cerca de 6,5 milhões de mortes em todo o mundo, equivalentes a 11,6% do total, estiveram ligadas à contaminação do ar. O órgão detectou que os níveis de contaminação são especialmente elevados no Mediterrâneo oriental, no Sudeste Asiático e no Pacífico Ocidental.

As mortes são provocadas especialmente por doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e câncer de pulmão, segundo a ONU. Cerca de 90% destas mortes ocorrem em países de renda média ou baixa, com dois a cada três óbitos em regiões do sudeste asiático e do Pacífico ocidental. A organização também adverte que a contaminação do ar também aumenta o risco de infecções respiratórias agudas.

Para a OMS, os principais causadores da má qualidade do ar são os modos ineficientes de transporte, a queima de combustível e rejeitos, as centrais elétricas e as atividades industriais, e fenômenos naturais como as tempestades de areia. Graças aos novos dados existentes, os especialistas esperam poder alentar os Estados a realizar mais esforços para reduzir a contaminação do ar – principalmente após os líderes mundiais fixarem o objetivo de reduzir as mortes ligadas a esta ameaça até 2030.

Projeto residencial e comercial alemão promove a sustentabilidade

Imagine um lugar no qual você mora e trabalha no mesmo conjunto de prédios e que todo ele é sustentável. Isso vai acontecer muito em breve neste projeto, que atualmente está em construção, chamado Heildelberg Village, na Alemanha.

Projeto do Heildelberg Village© Fornecido por Catraca Livre Projeto do Heildelberg Village

Créditos: Imagem de Divulgação

Mas o que vai ter por lá? Jardins verticais que ajudam no controle térmico e garantem uma área verde; sistema de ventilação natural gerado a partir do vento; geração de energia solar e placas fotovoltaicas para a manutenção da qualidade do ar.

Até aí, nenhuma novidade, pois já temos alguns (poucos) prédios assim espalhados pelo mundo. O grande diferencial aqui é o conceito de “living community” ou, numa tradução livre, comunidade viva.

O principal conceito do Heildelberg Village é que o prédio represente uma comunidade integrada e não apenas um local no qual as pessoas residem e trabalham.

O post Projeto residencial e comercial alemão promove a sustentabilidadeapareceu primeiro em Catraca Livre.

O trabalho destas águias é evitar que pássaros morram em parques eólicos

Fontes de energia renováveis são indiscutivelmente mais limpas do que a energia nuclear ou a energia gerada a partir de combustíveis fosseis. Porém, existem alguns inconvenientes: unidades de produção de energia solar queimam os pássaros que sobrevoam a área, enquanto que os parques eólicos os confundem com o barulho e muitas vezes causam acidentes. Para evitar que as aves colidam com as turbinas das usinas eólicas, pesquisadores estão trabalhando com águias.

• Novas turbinas eólicas prometem fornecer energia ao Japão por 50 anos após um tufão• Usina de energia solar não consegue parar de matar pássaros

As fotos abaixo do NREL – Laboratório Nacional de Energia Renovável, na sigla em inglês – mostram como duas águias participam de uma pesquisa inédita no National Wind Technology Center – Centro Nacional de Tecnologia Eólica, em tradução livre. Foram desenvolvidos um radar e um sistema visual que previnem que pássaros morram nos parques.

A Spirit, uma águia-careca de 20 anos de idade, e a Nova, águia-real da mesma idade, são treinadas no Southeastern Raptor Center. O papel delas é promover a conservação da vida selvagem. De acordo com a Universidade de Auburn, desta vez elas estão lá para salvar seus próprios parceiros:

Colisões de pássaros com as turbinas eólicas não são comuns, mas a partir do momento que as aves possam voar na altura das pás, tudo o que puder ser feito para protegê-las é importante. As águias-reais, protegidas pela lei federal, estão entre as grandes aves que podem interagir com as turbinas.

A pesquisa em desenvolvimento, que é um projeto colaborativo entre a Laufer Wind, a Renewable Energy Systems (RES), NREL e Universidade de Auburn, coleta dados dos padrões de voos das duas águias, depois que são soltas de alguns elevadores que estão posicionados em diferentes lugares no parque. Elas possuem um GPS super preciso e um dispositivo de registro que permitem que os especialistas usem dois sistemas diferentes para monitorar seus movimentos.Clique aqui para ver as imagens em tamanho ampliado.O Sistema de Detecção de Aeronaves da Laufer Wind, feito para detectar aviões próximos, escaneia o ambiente em 360 graus. Mas como o pesquisador Jason Roadman da NREL explica, nesta pesquisa a tarefa é mais difícil do que achar agulha num palheiro:

Os radares processam 1 gigabyte de dados a cada minuto; o truque é discernir os bytes de dados que representam a ave. Saber do seu tamanho, velocidade e características de voo ajudam o radar a determinar o que é e o que não é um pássaro.

O outra tecnologia utilizada é um sistema de identificação visual das águias, chamado IdentiFlight, que usa câmeras para detectar aves a 1 quilômetro de distância das turbinas. O objetivo é detectar os pássaros a tempo de mandar um alerta para o operador do parque, para que ele diminua a velocidade das pás, ou as pare completamente.

Jovens de baixa renda aprendem a instalar placas de energia solar no DF

Placa solar

O programa Brasília Solar, parceria da Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), iniciou no início de outubro, as aulas de instalação e de manutenção de placas fotovoltaicas para 150 alunos inscritos no Cadastro para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). O objetivo é gerar mão-de-obra qualificada para atender a demanda do setor de energia renovável no Distrito Federal. Os alunos, que fazem parte do programa Fábrica Social, terão as aulas ministradas por professores do Senai.

Segundo o subsecretário de Integração das Ações Sociais, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Célio Silva, o curso é um gerador de empregos para atender uma demanda sustentável.

“O curso se insere no programa Fábrica Social como uma alternativa de produção para um segmento inovador que gera muitas oportunidades de emprego, 1 megawatt gera 120 novos empregos. O Brasília Solar tem a previsão de 60 megawatts nos próximos anos o que gera 7.200 empregos. As pessoas que conseguiremos formar nesses próximos três anos (450 alunos) é insuficiente para atender a essa demanda potencial que já existe”, disse.

Para Juarez Novaes, de 48 anos, o curso é uma oportunidade de ajudar o planeta e de ser inserido no mercado de trabalho, mas considera que falta divulgação. “É uma boa oportunidade, vai nos inserir no mercado e é sustentável. Procurei o curso principalmente por conta da sustentabilidade, acho importante essa contribuição com o planeta. Mas o curso tem que ser mais divulgado”, relata.

O curso tem 364 horas-aula divididas em 80 horas para habilidades básicas, envolvendo comunicação e expressão no ambiente de trabalho, matemática, noções da legislação trabalhista, direitos humanos e meio ambiente, higiene e segurança no trabalho e inclusão digital (word e excel); 200 horas para habilidades específicas; e 84 horas para noções de gestão e gerenciamento de negócios, envolvendo empreendedorismo, cooperativismo, benefícios do MEI – Microempreendedor Individual, planejamento, compra e venda.

Fábrica Social

O programa Fábrica Social oferece os cursos têxtil e confecção de material esportivo; instalação e manutenção de painéis solares; produção e cultivo de alimentos saudáveis em meio urbano; marcenaria com madeiras recicláveis e construção civil.

A inscrição no programa é feita por meio do telefone 156. Podem se inscrever para os cursos de capacitação moradores de Brasília inscritos no Cadastro Único para programas sociais do governo federal. É preciso ter no mínimo 16 anos de idade e renda familiar per capita de até R$ 154, além de nunca ter participado dos cursos oferecidos. Quando aberto, o processo seletivo destina 5% das vagas para pessoas com deficiência, 5% para idosos e 5% para adolescentes em conflito com a lei.

Avanço do desmatamento na Amazônia causa alerta no governo

O aumento da taxa de desmatamento da Amazônia a partir de 2014 acendeu o sinal amarelo no governo federal, que convocou nesta quarta-feira e quinta representantes da academia, de governos estaduais e da sociedade civil para discutir formas de combater a perda da floresta, a fim de cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030.

Na semana passada, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou uma atualização para cima da taxa de desmatamento observada entre agosto de 2014 e julho de 2015. Dados preliminares do Prodes, o sistema de monitoramento por satélite do Inpe que apresenta a taxa oficial do desmatamento do ano, anunciados em novembro do ano passado apontavam que haviam sido perdidos 5.831 km² de floresta, o que já seria uma alta de 16% em relação a agosto de 2013 e julho de 2014. O aperfeiçoamento da análise mostrou que o corte raso atingiu 6.207 km². O aumento real foi de 24%.

Este é o maior valor desde 2011 e mostra uma tendência de alta perigosa. A partir de 2008, o desmatamento da Amazônia apresentou quedas sucessivas, chegando ao menor valor em 2012 – 4.571 km². De lá para cá, ocorreram algumas altas e baixas, mas a taxa ficou em torno de 5.000 km². É a primeira vez que volta a passar a barreira dos 6 mil. E a expectativa é que a tendência de alta continue.”Estou preparada para isso”, disse ao Estado Thelma Krug, diretora do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, sobre a nova taxa do Prodes deste ano.

O anúncio preliminar do período de agosto do ano passado a julho deste ano deve sair em novembro, mas dados de outro sistema do Inpe, o Deter, que observa a Amazônia em tempo real, dão sinais de que o crescimento deve ter se mantido. O Deter lança alertas que orientam a fiscalização e neste ano eles compreenderam uma área 16% maior que no ano anterior.

Grandes áreas

Ao apresentar esses dados no seminário de ontem em Brasília, o Inpe apontou que voltaram a ocorrer grandes polígonos de desmatamento, que tinham ficado mais raros nos últimos anos. Com o avanço dos mecanismos de comando e controle desde 2008, a derrubada de grandes porções de floresta foi diminuindo, porque é muito mais fácil de ser detectada por satélite e pela fiscalização. Os cortes passaram a ocorrer em menores áreas, o que era uma explicação para a dificuldade de reduzir ainda mais a taxa total.

No consolidado de 2014, 69% dos desmatamentos tinham ocorrido em propriedades de até 50 hectares. Em 2015, essa faixa passou a representar 59% dos cortes. Já áreas entre 100 e 500 hectares, que em 2014 tinham sido responsáveis por 15% do desmatamento, em 2015 abocanharam 20%.

Thelma, que está coordenando a nova fase do plano de combate ao desmatamento (PPCDAM), reconhece que têm ocorrido problemas na fiscalização desde 2014. Cortes no orçamento atingiram o Ibama e ela acredita que houve uma “percepção de falta da presença do Estado na Amazônia”, mas diz que houve uma sinalização do governo Temer de que vai voltar a apoiar a fiscalização e o controle.

Segundo ela, a nova fase do PPCDAM vai trazer um novo eixo de atuação: instrumentos econômicos para incentivar o produtor a não desmatar. E um esforço de fiscalização mais concentrado nas áreas que mais têm sofrido com o desmatamento: florestas públicas que não têm destinação, terras privadas e assentamentos rurais.

Encruzilhada

Paulo Moutinho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), um dos representantes da sociedade civil no seminário, afirmou que se a alta se confirmar, o País estará diante de uma encruzilhada.

“Ou toma ações definitivas para acabar de uma vez com o desmatamento, criando alternativas inclusive para o corte legal, como novas formas de rendimento, ou vamos ver essa retomada da perda da Amazônia com um agravante que não tínhamos antes”, disse.

Ele se referiu ao aquecimento global. “Desmatamento e mudança do clima combinados trazem seca e causam um processo extra de degradação que pode mudar mais rápido o clima na região, afetando até mesmo a principal fonte de PIB do Brasil, que é o agronegócio”, explicou.

O Ipam ofereceu um conjunto de seis ações que poderiam ajudar a zerar o desmatamento: criar salvaguardas mais criteriosas para obras de infraestrutura na região; implementar o Código Florestal; agir nos assentamentos; implementação do PPCDAM; agir nas florestas públicas não destinadas e criar sistemas financeiros inovadores para a conservação da floresta.

Sobre os assentamentos, destacou que hoje cerca de 30% do desmatamento ocorre neles. “Está concentrado em uma parcela deles e ocorre tanto pelas mãos do assentado quando por terceiros. É preciso criar uma política de reforma agrária, com assistência técnica e mecanismos inovadores para que eles consigam viver da terra e não migrem para o que chamamos de ‘agronegocinho'”, disse Moutinho.

Assim como Thelma, ele lembrou o papel das áreas sem destinação. “Temos mais de 70 milhões de hectares na Amazônia nessa situação. É quase a mesma área total que foi desmatada ao longo dos anos na Amazônia. Elas são objeto de grilagem. Destiná-las para um uso sustentável ou transformá-las em unidades de conservação é o modo mais rápido de frear o avanço sobre essas áreas”, defendeu.

Extremos climáticos devem ficar mais intensos

Desde 2014, a região sudeste do Brasil enfrenta um período de estiagem e passa também por outros extremos climáticos, como frio ou calor intensos.

De acordo com pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os fenômenos climáticos intensos devem se intensificar ainda mais especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país.

Umas das principais causas para essa variabilidade climática pode ser a elevação da temperatura média global.

Tercio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) expôs o tema na palestra “Observações e atribuição de causas da variabilidade e extremos climáticos”.

O último relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, sigla em inglês] indica a ocorrência inequívoca do aquecimento global e apresenta novas evidências sobre a real contribuição humana para o agravamento do efeito estufa.

A detecção da mudança climática é um processo que demonstra que o clima tem mudado baseado em algum método estatístico sem, entretanto, discutir as causas desta mudança.

A atribuição de justificativas da mudança climática é o processo que estabelece a mais provável causa da mudança detectada com um determinado nível de confiança.”

De acordo com matéria da Exame, as análises foram apresentadas durante a Conferência Internacional do INCT para Mudanças Climáticas, realizada pelo Inpe e pelo Cemaden de 28 a 30 de setembro, em São Paulo (SP), com a participação de pesquisadores de algumas das 108 instituições brasileiras e estrangeiras que integram o INCT-MC.

Recifes de corais em regiões profundas abrigam espécies únicas

Geralmente quando pensamos em recifes de corais nos lembramos de um ambiente com cores vibrantes, com muita luz. Porém, em regiões mais profundas e escuras do oceano, existe um vasto ecossistema de corais que ainda é desconhecido pela ciência.

• Os recifes de corais estão morrendo aos montes

• Este timelapse mostra exatamente como os corais se autodestroem

Richard Pyle, zoologista do Bishop Museum, passou os últimos 20 anos pesquisando uma dessas regiões – a chamada “zona cinzenta” de corais que fica no Arquipélago do Havaí em profundidades que vão de 30 a 150 metros, onde a luz é sempre muito escassa. As descobertas da pesquisa foram resumidas na revista Peer J, no mais completo estudo sobre recifes de corais em ambientes de baixa iluminação já feito.

Usando diversos acessórios e veículos de alta tecnologia – veículos submarino operados remotamente, submarinos comuns, câmeras e sensores de ambiente – Pyle e sua equipe conseguiram documentar vastas áreas de recifes de corais em áreas com pouca iluminação, abrangendo dezenas de quilômetros quadrados a profundidades de 90 metros ou mais, nas ilhas de Maui e Kauai.

Entremeadas aos corais está essa espécie de “gramado verde”, que abriga diversas espécies de algas que até então não foram classificadas. Tanto o coral quanto a alga precisam de luz do sol para realizar fotossíntese, o que faz Pyle suspeitar que elas só conseguem existir graças a excepcional limpidez das águas havaianas.

Uma das descobertas mais intrigantes da pesquisa de Pyle é que os recifes de corais com algas servem como ninhos para peixes endêmicos – espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar do planeta. Enquanto apenas 17% das espécies de peixes dos recifes rasos do Havaí são exclusivos no arquipélago, esse número sobre para 50% ao chegar em 70 metros de profundidade.

“A extensão de endemismo de peixes nestes recifes de corais mais profundos, particularmente nas ilhas noroeste do Havaí, é surpreendente” disse o co-autor do estudo, Randall Kosaki, num comunicado. “Conseguimos documentar as maiores taxas de endemismo de todo o ambiente marinho da Terra.”

Uma teoria é que esses recifes representam um refúgio, onde diversas linhagens sobreviveram durante milhões de anos, mesmo durante as eras glaciais do planeta.Talvez uma das coisas mais importantes que o estudo revela é o quão pouco sabemos sobre a vida nas regiões mais escuras da Terra – o que é um problema, já que não conseguimos proteger o que não conhecemos.[Peer J]

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