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Youssef retira tornozeleira e ganha a liberdade no aniversário da Lava Jato

Doleiro que foi alvo da primeira fase da operação fez acordo com a Justiça.
Ele foi um dos primeiros delatores da Lava Jato.

O doleiro Alberto Youssef, preso da Operação Lava Jato que está detido na sede da Policia Federal em Curitiba, sai para depor na sede da Justiça Federal, no começa da tarde desta quarta feira (4) (Foto: Vagner Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)Youssef foi preso na primeira fase da Operação Lava Jato (Foto: Vagner Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo)

No dia em que a Operação Lava Jato completa três anos, o doleiro Alberto Youssef termina de cumprir a pena e ganha, finalmente, a liberdade. Nesta sexta-feira (17), ele deve tirar a tornozeleira que o acompanhou nos últimos quatro meses. A data de retirada foi prevista na decisão em que o juiz federal Sérgio Moro autorizou a mudança de regime de prisão do doleiro de fechado para domicilar.

Na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, Youssef ficou por dois anos e oito meses; a saída foi em novembro. Com autorização de Moro, na PF, o doleiro teve à disposição um celular, que poderia ser usado apenas para ligações de emergência. Ele também foi submetido a restrições de visitas: apenas os advogados e pessoas previamente cadastradas poderiam se encontrar com ele.

Embora já tenha sido condenado por crimes cujas penas somam 117 anos de cadeia, Youssef deixa a prisão graças a um acordo de colaboração premiada. Ele foi um dos primeiros delatores da Operação Lava Jato. Nos depoimentos que prestou à Justiça, ele detalhou, entre outras coisas, as relações espúrias entre parte da classe política, empreiteiras e diretores da Petrobras.

O doleiro chegou a ser considerado pelos investigadores como o chefe do esquema de desvios. Mais tarde, porém, descobriu-se que ele era apenas um dos muitos operadores financeiros que atuavam na lavagem dos recursos ilícitos de propina.

Caso Banestado
Youssef tem consigo uma longa lista de crimes, que vão além da mera participação na lavagem de dinheiro da Lava Jato. De acordo com arquivos policiais, ele começou a “carreira” fora da lei ainda quando adolescente. O doleiro chegou a ser detido junto com a mãe dele, levando contrabando do Paraguai para Londrina, no norte do Paraná, onde ele nasceu.

Já adulto, o sacoleiro começou a atuar como doleiro na região norte do Paraná. Em 2003, ele foi preso por atuar na lavagem de dinheiro promovida por diretores do antigo Banco do Estado do Paraná (Banestado). A fraude era, até a deflagração da Lava Jato, o maior caso de corrupção já descooberto no país. Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos tenha sido de R$ 1 bilhão.

Em 2005, Youssef decidiu colaborar com a Justiça pela primeira vez. O acordo de delação firmado à época foi o primeiro realizado no país e serviu como base para a lei sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff, em 2013, que regulamenta os atuais acordos da Lava Jato.

Em troca das penas relacionadas ao caso Banestado, o doleiro entregou os nomes de diversas pessoas envolvidas na fraude e também os caminhos para que o dinheiro pudesse ser rastreado. Curiosamente, o juiz que cuidou dos processos do caso Banestado também era Sérgio Moro.

O acordo também previa que Youssef deveria deixar de operar no mercado ilegal de moedas, bem como ficava proibido de cometer novos crimes por um prazo de 10 anos, sob pena de voltar a responder os processos do caso Banestado. Como ele descumpriu aquele acordo, alguns processos até começaram a ser reabertos, mas a nova delação da Lava Jato acabou por incluir aquele caso nas cláusulas dos novos benefícios, isentando o doleiro de ser condenado por aquelas fraudes.

‘Lista de Janot’ contém 107 nomes sob sigilo, aponta levantamento

Segundo investigadores da Lava Jato, em poucos casos, alguns desses nomes se repetem em mais de um pedido de inquérito. Com isso, estimativa é que sejam cerca de 100 os investigados.

Lista de Rodrigo Janot já está cadastrada no sistema do Supremo Tribunal Federal

Os 83 pedidos de inquérito enviados na última terça-feira ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contêm 107 nomes sob sigilo, todos com foro privilegiado no STF (prerrogativa de deputados, senadores e ministros, por exemplo), segundo apurou levantamento do G1 e da TV Globo no sistema processual do STF.

Isso não quer dizer que o total de alvos dos inquéritos seja 107. Em alguns poucos casos, segundo informaram investigadores da Lava Jato, foi pedida a investigação de uma mesma pessoa em mais de um inquérito. Esses investigadores estimam em cerca de 100 o total de pessoas que são alvos dos pedidos de inquérito.

O levantamento apontou que, dos 83 pedidos

  • 64 têm um nome por inquérito;
  • 16, dois nomes em cada inquérito;
  • 2 pedidos, três nomes em cada inquérito
  • 1 pedido aparece com cinco nomes no mesmo inquérito

Para o levantamento, o G1 e a TV Globo consultaram cada um dos pedidos de inquérito que constam do sistema processual do STF. Como o material está sob sigilo, não aparecem os nomes, somente a quantidade de pessoas cuja investigação é solicitada em cada pedido de inquérito.

Janot enviou na terça ao Supremo pedidos para investigar investigar políticos citados nas delações de 77 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht.

Até o momento, não foram divulgados, oficialmente, os nomes dos políticos que integram a “nova lista do Janot” porque a solicitação tem caráter sigiloso. Além da abertura dos inquéritos, Janot também pediu ao STF a retirada do sigilo das delações. Quem decidirá sobre os pedidos é o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.

Apesar de os pedidos de inquérito ainda estarem sob segredo de Justiça, a TV Globo já conseguiu confirmar 38 nomes de políticos que fazem parte da chamada “nova lista do Janot” (veja a lista completa ao final desta reportagem).

Os documentos entregues pela PGR nesta semana ao Supremo trazem acusações de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, formação de cartel e caixa 2.

Sala-cofre

Relator da Lava Jato no Supremo, o ministro Luiz Edson Fachin ainda não recebeu o material enviado pela PGR. O magistrado não tem prazo para tomar decisão sobre a abertura de inquéritos ou sobre o fim do sigilo das delações.

Ele só decidirá depois que receber e analisar centenas de documentos entregues pela Procuradoria. Por enquanto, está tudo guardado numa sala-cofre no terceiro andar do tribunal, próximo ao gabinete da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.

Antes de os pedidos chegarem ao gabinete de Fachin, tudo tem de passar pelo protocolo do Supremo. A previsão é de que os documentos sejam liberados para o relator até o final desta semana.

Os 320 pedidos de Janot (dos quais 83 de abertura de inquérito) já começaram a ser cadastrados no sistema do STF e receberam um número. Agora, estão em fase de processamento.

Foro privilegiado

Os pedidos de abertura de inquérito foram enviados ao Supremo porque entre os alvos há autoridades com foro privilegiado, isto é, que só podem ser investigadas (e depois julgadas, se for o caso) com autorização do STF. São os casos de deputados e senadores, por exemplo. Governadores são investigados e julgados no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para os casos de políticos e demais pessoas que perderam o foro privilegiado – integrantes do governo passado, por exemplo –, o procurador-geral fez 211 pedidos de remessa de trechos das delações para instâncias inferiores da Justiça (o chamado “declínio de competência”).

No total, a Procuradoria Geral da República fez ao Supremo 320 pedidos, dos quais:

  • 83 pedidos de abertura de inquérito
  • 211 pedidos de remessa de trechos das delações que citam pessoas sem foro no STF para outras instâncias da Justiça
  • 7 pedidos de arquivamento
  • 19 outras providências

Nomes revelados

Veja quais são os nomes da “lista do Janot” já revelados pela TV Globo:

  • Seis ministros do governo Temer – Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), Bruno Araújo (Cidades), Marco Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços)
  • Cinco governadores – Renan Filho (Alagoas), Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro), Fernando Pimentel (Minas Gerais), Tião Viana (Acre), Beto Richa (Paraná)
  • Seis deputados: Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara; Marco Maia (PT-RS); Andres Sanchez (PT-SP); Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA); José Carlos Aleluia (DEM-BA); Paes Landim (PTB-PI)
  • Dez senadores: Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado; Edison Lobão (PMDB-MA); José Serra (PSDB-SP); Aécio Neves (PSDB-MG); Romero Jucá (PMDB-RR); Renan Calheiros (PMDB-AL); Lindbergh Farias (PT-RJ); Jorge Viana (PT-AC); Marta Suplicy (PMDB-SP); LÍdice da Mata (PSB-BA)
  • Dois ex-presidentes da República – Luiz Inácio Lula da Silva (PT); Dilma Rousseff (PT)
  • Dois ex-ministros do governo Dilma – Antonio Palocci (PT); Guido Mantega (PT)
  • Um ex-ministro do governo Temer – Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)
  • Um ex-governador – Sérgio Cabral (PMDB-RJ)
  • Um ex-presidente da Câmara – Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
  • Dois prefeitos – Duarte Nogueira (PSDB-SP), de Ribeirão Preto; Edinho Silva (PT-SP), de Araraquara
  • Um ex-candidato a governador – Paulo Skaf (PMDB-SP)
  • Um ex-assessor da ex-presidente Dilma Rousseff – Anderson Dornelles

Partidos

Veja a distribuição por partido dos nomes da “lista do Janot” revelados pela TV Globo:

  • DEM – José Carlos Aleluia, Rodrigo Maia
  • PMDB – Edison Lobão, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira, Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima, Luiz Fernando Pezão, Marta Suplicy, Moreira Franco, Paulo Skaf, Renan Calheiros, Renan Filho, Romero Jucá, Sérgio Cabral
  • PRB – Marco Pereira
  • PSB – LÍdice da Mata
  • PSD – Gilberto Kassab
  • PSDB – Aécio Neves, Aloysio Nunes, Beto Richa, Bruno Araújo, Duarte Nogueira, José Serra.

 

Até quando vai a Lava Jato?

Três anos depois, juiz Sérgio Moro não quer mais fazer previsões sobre desfecho do trabal

Desde o início da operação que desmontou o esquema de corrupção na Petrobras, uma pergunta tem perseguido o juiz federal Sérgio Moro em entrevistas e eventos: “até quando vai a Lava Jato?”

Em outubro de 2015, ele dizia em tom de brincadeira esperar que a operação estivesse próxima do fim. Na época, Moro alegou estar cansado com o trabalho decorrente da Lava Jato, que então tinha pouco mais de um ano e meio.

Nesta sexta-feira (17), a operação completa três anos e, alguns prognósticos frustrados depois, Moro prefere não fazer mais previsões. Em uma entrevista ao jornal “Valor Econômico”, publicada no último dia 10, o magistrado foi perguntado novamente sobre se tinha perspectiva para concluir os trabalhos da operação em Curitiba. “Não, não tenho”, respondeu.

Juiz de primeira instância, Moro tem nas mãos processos que envolvem empresários, ex-diretores da Petrobras e políticos que não têm foro especial. Desde o início da Lava Jato, já houve 38 fases da operação conduzidas pela força-tarefa do Paraná, e 89 pessoas foram condenadas por Moro até agora. Elas podem recorrer em instâncias superiores.

A Lava Jato extrapolou as fronteiras da Justiça Federal do Paraná e há desdobramentos no Rio de Janeiro e também no Supremo Tribunal Federal, para onde foram encaminhadas as suspeitas envolvendo políticos com foro privilegiado.

Veja as respostas de Moro sobre a previsão de fim da Lava Jato:

“Pessoalmente, confesso que eu estou um pouco cansado do trabalho. Gostaria que estivéssemos chegando perto de algum final, mas não depende de mim.” (Outubro de 2015, à revista Época Negócios)

Não consigo dizer com certeza, porque é um caso em andamento e às vezes novas evidências aparecem. Um dia eu disse que poderia terminar no fim do ano, e a maioria das empresas que pagaram propinas já foram ouvidas, acusadas e julgadas. Minha parte deve ser no fim do ano, mas não posso dizer com certeza.” (Julho de 2016)

“É mais um desejo [concluir a Lava Jato até dezembro]. Confesso que estou cansado. É um trabalho desgastante, mas não é uma previsão. Então, evidentemente, ninguém vai fechar os olhos para essas questões. O trabalho continua enquanto existir matéria.” (Agosto de 2016)

“Agora, muito já se caminhou em relação às investigações de crimes havidos na Petrobras. Então, quem sabe, pode ser que num período razoável isso chegue a um fim. Mas é impossível fazer um prognóstico” (Outubro de 2016, à agência Reuters)

“Não, não tenho [perspectiva de fim da Lava Jato em Curitiba]. Normalmente, o tempo de duração de uma ação penal é de seis meses a um ano, aproximadamente. Até o julgamento. Mas tem investigações em andamento, e a conclusão delas é mais imprevisível.” (Março de 2017, ao jornal Valor Econômico)

Acidente grave entre caminhões deixa dois mortos na rodovia Fernão Dias

Caminhões bateram no km 63, na altura de Mairiporã, na Grande São Paulo.


Acidente grave deixa dois mortos na Rodovia Fernão Dias (Foto: TV Globo/Reprodução)

Um acidente grave envolvendo dois caminhões deixou dois mortos, segundo a Polícia Rodoviária Federal, na altura do km 63 da Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, na Grande São Paulo. O acidente bloqueia a faixa da esquerda da pista sentido São Paulo.

Segundo informações do Bom Dia São Paulo, o motorista que seguia no sentido São Paulo perdeu o controle e atravessou a mureta que divide as pistas, atingindo o caminhão que seguia sentido interior.

Por causa do acidente, as faixas da esquerda e central estão bloqueadas no sentido Norte (Belo Horizonte) e há um congestionamento do km 65,2 ao km 63,2 (Mairiporã). Equipes da concessionária Autopista Fernão Dias estão no local e trabalham no atendimento à ocorrência, remoção do veículo e liberação total da via.

Acidente deixa dois morots na Rodovia Fernão Dias (Foto: TV Globo/Reprodução)

Acidente deixa dois morots na Rodovia Fernão Dias (Foto: TV Globo/Reprodução)

Acidente provoca lentidão na Rodovia Fernão Dias na altura de Mairiporã (Foto: TV Globo/Reprodução)

Acidente provoca lentidão na Rodovia Fernão Dias na altura de Mairiporã (Foto: TV Globo/Reprodução)

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