Políticos Perdidos

Com menos políticos, centrais protestam contra reformas em São Paulo

CUT e Força Sindical exigem mais diálogo com governo

Ato do Dia do Trabalho organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Avenida Paulista 

SÃO PAULO – Com a presença de poucos políticos e públicos menores do que em anos anteriores, a CUT e a Força Sindical realizaram nesta segunda-feira atos para comemorar o 1º de Maio na capital paulista. Nos discursos, os dirigentes das duas centrais criticaram duramente as reformas trabalhista e previdenciária, e ameaçaram com novas manifestações, como a greve geral da última sexta-feira, dia 28, caso o governo insista em levar as reformas adiante sem dialogar com os trabalhadores.

Os dirigentes sindicais vão se reunir na quinta-feira para decidir se será realizada agora uma marcha até Brasília, ou fazer uma nova greve geral. Vagner Freitas revelou ainda que se reunirá nesta terça-feira com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, para tratar das reformas.

 

— Se o governo não entendeu, vai ter mais. Espero que o governo negocie e que a gente possa resolver isso sem barulho — pontuou o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical, falando a milhares de pessoas que se reuniram na Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte da cidade.

Segundo Paulinho, a paralisação da última sexta-feira “mostrou a força do movimento” dos trabalhadores contra o modo como as reformas estão sendo conduzidas.

— Queremos um diálogo civilizado, que o governo sente para negociar. E queremos mudar a reforma da Previdência. Eles querem enfiar goela abaixo dos trabalhadores uma reforma que a gente não aceita disse.

Na avenida Paulista, onde a realizou o seu ato de 1º de Maio, Vagner Freitas, em meio a ataques ao presidente Michel temer e às reformas, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), indicou que novas paralisações e protestos vão acontecer caso o governo não reveja suas propostas.

— É importante destacar que este é um ato de continuidade ao dia 28. O Brasil é contra as propostas apresentadas pelo Temer. É o presidente mais impopular da história do Brasil. Ele não pode fazer as reformas, porque nem tem legitimidade nem credibilidade para isso — afirmou Freitas, que defendeu ainda a realização de eleições diretas já e convocou os trabalhadores a marchar a Curitiba para acompanhar o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Lula ao juiz Sérgio Moro, no dia 10.

Tradicionalmente muito disputados por políticos, os palanques de Força e CUT registraram baixíssima participação de parlamentares este ano. Na “festa” da Força, por exemplo, além de Paulinho, estavam apenas os deputados Orlando Silva (PCdoB), Roberto Lucena (PV) e Major Olímpio (SD).

Na manifestação da CUT, que chegou a ser proibida por uma liminar conseguida pelo prefeito João Doria (PSDB), o presidente do PT, Rui Falcão, não poupou o adversário.

— Os companheiros e companheiras ocupam a Paulista, mesmo contra as ordens desse autoritário safado do prefeito João Doria — disse Falcão, em seu discurso.

Falcão ainda clamou “pela libertação dos presos políticos do PT, que estão presos sem culpa formada e não têm direito ao habeas corpus, que é um direito fundamental”.

O público foi menor do que em outros anos anteriores e ocupou pouco mais da metade uma quarteirão da Paulista.

— Foram dois atos próximos um do outro, o que acaba prejudicando — afirmou o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).

Líderes dos movimentos populares presentes ao evento da CUT também prometeram manter a estratégia de trancar ruas e avenidas em novas manifestações.

— A Central de Movimentos Populares (CMP) foi acusada de fazer tática de guerrilha urbana. Não usamos ainda, mas se necessário for, vamos usar todos os meios necessários — discursou Raimundo Bonfim, da CMP.

Os discursos proferidos por líderes sindicais no evento da Força também não pouparam o prefeito João Doria (PSDB), que durante a greve geral da última sexta-feira chamou de “vagabundos”, “preguiçosos” e “pelegos” os trabalhadores que aderiram à paralisação.

— Você nos deve desculpas — repetiam os sindicalistas.

LIDERANÇAS POLÍTICAS NO RIO

Já no Rio de Janeiro, o ato de 1º de Maio, Dia do Trabalho, na Cinelândia, criticou, além das reformas do governo, a truculência policial. O ato acontecia de maneira tranquila até pouco antes de 13h, quando um princípio de confusão ocorreu na hora que parlamentares começavam a falar no palco. Um suposto integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) interrompeu o discurso do deputado Wadih Damous (PT-RJ) com uma bandeira da monarquia e foi agredido por manifestantes. Ele foi então retirado do local por integrantes da CUT.

Lideranças políticas da esquerda discursaram durante a manifestação. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) e os deputados estaduais Marcelo Freixo (Psol) e Flavio Serafini (Psol) falaram à população, destacando a força da greve geral da última sexta-feira, a repressão policial durante o ato e a crise do Estado do Rio.

PRISÕES

Durante o ato da CUT, também foi denunciada a decretação da prisão preventiva de três integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) detidos durante a greve da última sexta-feira.

— Foram presos com acusações esdrúxulas, sem nenhuma prova e indício. No sábado, o pedido de liberdade foi negada pela juíza, que alegou a defesa da ordem pública, argumento próprio de regimes de exceção e autoritários. São presos políticos da greve — disse Guilherme Boulos, líder do MTST.

No despacho em que decreta a prisão preventiva, a juíza Marcela Filus Coelho diz que a prisão é justificada pelas provas “em especial nos relatos dos policiais militares”. Luciano Antônio Firmino é acusado de incêndio tentado e incitação ao crime. Já Juraci Alves dos Santos e Ricardo Rodrigues dos Santos são acusados de explosão e incitação ao crime.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s