NOTICIAS INTERNACIONAIS

Roger Moore, ator de ‘007’, morre aos 89 anos

Família usou o Twitter do ator para enviar um comunicado oficial e relatar que o ator morreu na Suíça ‘após uma curta, mas brava, batalha contra o câncer’.

 Roger Moore roda filme da franquia '007' em locação na Inglaterra, em 1972 (Foto: AP Photo/Arquivo)

Roger Moore roda filme da franquia ‘007’ em locação na Inglaterra, em 1972 

O ator Roger Moore, famoso por seu papel como James Bond na franquia de filmes “007”, morreu aos 89 anos nesta terça-feira (23) na Suíça. A família do ator enviou um comunicado pelo Twitter e afirmou estar devastada. Ele estava em tratamento contra um câncer.

“É com o coração pesado que nós anunciamos que nosso amado pai, Sir Roger Moore, faleceu hoje na Suíça após uma curta, mas brava, batalha contra câncer. O amor com que ele foi cercado em seus dias finais foi tão grande que não pode ser quantificado apenas em palavras”, escreveram seus filhos Deborah, Geoffrey e Cristian. Moore era casado com Kristina Tholstrup desde 2002. Segundo a família, Moore será velado em uma cerimônica privada em Mônaco.

Nascido em Londres em 1927, Moore trabalhou como modelo até o começo dos anos 1950. Depois disso assinou um contrato de sete anos com a MGM, mas suas produções iniciais não fizeram muito sucesso.

A fama só veio com seu papel como Ivanhoé, na série britânica “O Santo”, entre 1962 e 1969, e como Brett Sinclair, em “The Persuaders”.

Eterno “007”

A carreira como James Bond começou em 1973, no filme “Só Viva e Deixe Morrer”. Moore tinha a árdua missão de substituir Sean Connery, que encarnou o espião por quase uma década.

Moore interpretou o 007 em sete filmes e foi o ator a encenar o agente secreto por mais tempo: durante 12 anos. Após “Live and Let Die (Só Viva e Deixe Morrer)”, veio a repetição do personagem em “The Man with the Golden Gun (007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”, em 1974; “The Spy Who Loved Me (O Espião que me amava)”, de 1977; “Moonraker (007 contra o Foguete da Morte)”, de 1979; e “For Your Eyes Only (007 – Somente para Seus Olhos), de 1981.

Roger Moore se despediu do personagem em 1985, com “A View to a Kill (Na Mira dos Assassinos)”.

Embora tenha dezenas de filmes no currículo, Moore era tratado como “eterno 007”. Mas o título não incomodava o ator. “Ser eternamente conhecido como Bond não têm desvantagem”, afirmou Moore em 2014. “As pessoas às vezes me chamam de ‘Sr. Bond’ quando eu estou fora e eu não me importo nada com isso. Por que eu deveria?”

Ações sociais

Além de sua vida diante das câmeras, Moore era conhecido por suas obras de caridade. Ele participava de várias ações para arrecadar fundos que seriam doados aos mais necessitados. Por esse trabalho, o ator foi escolhido como embaixador da boa vontade da Unicef. Em 1991, Moore visitou o Brasil para dar ao ator Renato Aragão o título de representante da Unicef no país.

Além disso, por seu trabalho na agência da ONU, o ator foi condecorado pela rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império Britânico em 1999 e passou a ser Sir Roger Moore.

Vídeo comemorativo aos 85 anos de carreira de Roger Moore mostra um breve resumo da carreira do ator

Vídeo comemorativo aos 85 anos de carreira de Roger Moore mostra um breve resumo da carreira do ator

Roger Moore em comemoração pelos 50 anos de James Bond, em Londres, em 2012 (Foto: REUTERS/Neil Hall/File Photo)

Roger Moore em comemoração pelos 50 anos de James Bond, em Londres, em 2012 (Foto: REUTERS/Neil Hall/File Photo)

Roger Moore posa com o prêmio Don Quixote, em Londres, em 1968 (Foto: AP Photo/Arquivo)

Roger Moore posa com o prêmio Don Quixote, em Londres, em 1968 (Foto: AP Photo/Arquivo)

Roger Moore e Jane Seymour em 'Com 007 viva e deixe morrer' (1973) (Foto: Divulgação)

Roger Moore e Jane Seymour em ‘Com 007 viva e deixe morrer’ (1973) (Foto: Divulgação)

Roger Moore posa acompanhado de sua mulher, Cristina Tholstrup, na chegada para a festa de gala do Princess Grace Awards em Mônaco, em setembro de 2015 (Foto: Valery Hache/AFP/Arquivo)

Roger Moore posa acompanhado de sua mulher, Cristina Tholstrup, na chegada para a festa de gala do Princess Grace Awards em Mônaco, em setembro de 2015 .

Orçamento de Trump corta verba de saúde, educação e programas sociais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviará ao Congresso um plano de Orçamento de US$ 4,1 trilhões (R$ 13,4 trilhões) que conta com crescimento econômico mais forte e profundos cortes nos gastos que beneficiam os norte-americanos de baixa renda para equilibrar as contas do governo nos próximos dez anos.

A proposta de Orçamento para o ano fiscal que se inicia em 1º de outubro será entregue ao Congresso nesta terça-feira (23) e abrirá um extenso debate no qual os democratas já estão atacando o governo por tentar equilibrar o orçamento à custa dos pobres.

O presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, afirmou que a proposta de Orçamento de Trump é bem-vinda, pois ambos têm “objetivos comuns”. Mas legisladores de ambos os partidos disseram que grandes mudanças serão necessárias para que o projeto possa avançar no Congresso.

A proposta projeta que o deficit deste ano subirá para US$ 603 bilhões, ante os US$ 585 bilhões do ano passado.

Mas o documento afirma que, se as iniciativas de Trump forem adotadas, o deficit começará a diminuir e, em 2027, se tornará um pequeno superavit de US$ 16 bilhões. No entanto, essa meta depende de projeções de crescimento que a maioria dos economistas do setor privado considera como indevidamente otimistas.

O governo não opera em superavit desde o final dos anos 1990, quando um acordo orçamentário entre o presidente Bill Clinton, democrata, e os republicanos do Congresso, combinado à mais longa recuperação econômica na história dos Estados Unidos, produziu quatro anos fora do vermelho, entre 1998 e 2001.

Durante a campanha presidencial, Trump atacou o crescimento econômico fraco dos anos Obama e prometeu que seu programa econômico elevaria o crescimento da economia para acima dos mornos 2% anuais registrados desde o começo da recuperação, na metade de 2009.

O novo orçamento de Trump se baseia em previsão de crescimento sustentado da ordem de 3% ao ano, muito superior à da maioria dos economistas do setor privado.

“O presidente acredita que devemos restaurar a grandeza de nossa nação e rejeitar o status quo fracassado que deixou o sonho americano fora do alcance de muitas famílias”, afirmou o governo em sua proposta orçamentária intitulada “uma nova fundação para a grandeza dos Estados Unidos”.

De acordo com os números divulgados pelo governo, o plano de Trump cortaria quase US$ 3,6 trilhões de uma vasta gama de programas de benefícios, agências federais e gastos com guerras, nos próximos dez anos –um corte de quase 8%–, o que incluiria o custo de revogar e substituir a lei da saúde de Obama, reduções no orçamento do programa federal de saúde Medicaid, corte de subsídios ao crédito educativo, um profundo corte na assistência alimentar às pessoas de baixa renda, e um corte de US$ 95 bilhões nas verbas rodoviárias destinadas aos Estados. A proposta de cortes em um popular programa de seguro de safras atraiu críticas ao ser apresentada.

Um programa cujo objetivo seria recolocar na força de trabalho pessoas que no momento recebem pensões federais por deficiência também é politicamente tóxico. Os cortes nos programas de assistência alimentar removeriam milhões de beneficiários desses programas.

Funcionários do governo defenderam essas propostas como forma de reduzir a assistência governamental que, segundo eles, mantêm milhões de norte-americanos fora da força de trabalho e com isso reduz o crescimento econômico.

“Precisamos que as pessoas trabalhem”, disse Mick Mulvaney, o diretor de Orçamento da Casa Branca, a jornalistas. “Se você recebe assistência alimentar, precisamos que você arrume emprego. Se você recebe pagamentos por deficiência e não deveria recebê-los, precisamos que você volte a trabalhar.”

O plano de Trump projeta que o estímulo ao crescimento econômico causará mais de US$ 2 trilhões em redução do deficit nos próximos dez anos, por meio de “retroalimentação econômica”, um grande componente para que a proposta cumpra sua promessa de equilibrar as contas públicas até 2027.

A proposta orçamentária inclui uma nova e importante iniciativa de política interna –licença-maternidade e paternidade paga pelo governo, a um custo projetado de US$ 25 bilhões nos próximos dez anos. O novo programa vem sendo defendido pela filha do presidente, Ivanka Trump.

O presidente manteve suas promessas de campanha, de preservar os benefícios do programa de saúde Medicare e da Previdência Social só para os idosos, mas isso se traduziu em cortes ainda mais pesados em programas dirigidos aos pobres, como o Medicaid e o programa de assistência alimentar.

O Medicaid, o programa de saúde do governo que atende a muitos norte-americanos pobres e aos deficientes físicos, teria suas verbas reduzidas em mais de US$ 600 bilhões no próximos 10 anos, por meio de limitações nas transferências de verbas aos Estados e da concessão de maior flexibilidade aos governadores para que selecionem os beneficiários do Medicaid em seus Estados.

Esses cortes se somariam à revogação do Obamacare, que estendeu a cobertura do Medicaid a 14 milhões de pessoas, e representaria, ao final dos dez anos, um corte de quase 25% ante as projeções atuais de gastos com o programa.

Da mesma forma, uma redução de US$ 191 bilhões no programa de assistência alimentar federal, em dez anos, equivaleria a quase 30% dos custos previstos do programa e excederia por larga margem as propostas precedentes de corte apresentadas pelos republicanos da Câmara. O programa federal de assistência alimentar atende hoje a 42 milhões de pessoas.

Outros cortes previstos na proposta orçamentária de Trump incluem reduções nas pensões dos funcionários públicos federais, em parte por meio do aumento de suas contribuições.

Na agricultura, o orçamento proposto limitaria os subsídios aos agricultores, o que incluiria a compra subsidiada de seguros sobre as safras, uma medida que já está sob ataque dos legisladores que representam Estados agrícolas.

Quanto aos impostos, Trump promete uma reforma que reduziria as alíquotas de impostos e dependeria da eliminação de isenções e do crescimento econômico para evitar um alargamento do deficit. O plano prevê três faixas de tributação –10%, 25% e 35%– em lugar das atuais sete, mas os detalhes específicos foram deixados para negociações com o Congresso.

O novo plano orçamentário estende as propostas que Trump apresentou em março, acrescentando detalhes sobre seu objetivo de elevar os gastos com a defesa em US$ 54 bilhões, uma alta de 10%, este ano, e de compensar o aumento por meio de cortes em programas não relacionados à defesa.

Mulvaney disse que parte dos cortes de custos, cujo valor em dez anos seria de US$ 1,4 trilhão, segundo a proposta, viria do “plano dos dois centavos”, que reduzirá os gastos do governo em áreas não relacionadas à defesa em 2% ao ano pelos próximos dez anos.

Esses cortes –que incluiriam o cancelamento de verbas para desenvolvimento comunitário e dos subsídios para aquecimento concedidos às famílias de baixa renda– foram ignorados quando o Congresso aprovou sua proposta orçamentária para este ano, no começo do mês.

Há pouca indicação de que os legisladores, que massacraram a proposta apresentada por Trump em março, venham a mudar de ideia agora, dado o tumulto que cerca o governo Trump e seus índices de aprovação baixíssimos nas pesquisas de opinião pública.

Coreia do Sul dispara contra drone suspeito na fronteira com o Norte

O Exército da Coreia do Sul disparou tiros de aviso contra um drone suspeito da Coreia do Norte nesta terça-feira (23) em meio a tensões após o mais recente teste de mísseis de Pyongyang, que gerou condenação internacional e um alerta da China.

A identidade do objeto continua incerta, segundo o Exército sul-coreano, mas a agência de notícias Yonhap afirmou ser possivelmente um drone, contra o qual mais de 90 tiros foram disparados em resposta até que desaparecesse dos radares.

A incursão ocorreu com as tensões já altas na península coreana após o teste de lançamento de míssil balístico pelo Norte no domingo (21), o qual Pyongyang afirmou provar avanços na busca da construção de uma arma com capacidade nuclear que possa atingir alvos norte-americanos.

Os Estados Unidos têm tentado persuadir a China, principal aliada da Coreia do Norte, a fazer mais para controlar o regime de Pyongyang, que tem conduzido dezenas de lançamentos de mísseis e que testou duas bombas nucleares desde o início do ano passado, desafiando as sanções e resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Coreia do Norte não esconde seus planos de desenvolver um míssil capaz de atingir os Estados Unidos e tem ignorado pedidos de interromper seus programas de armas, mesmo da China. O país afirma que o programa é necessário para conter uma possível agressão norte-americana.

“Pedimos à Coreia do Norte para que não faça nada que viole novamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, disse o Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em comunicado publicado no site do ministério nesta terça-feira.

“Ao mesmo tempo, esperamos que todas as partes possam manter a moderação, não serem influenciados por cada incidente, (…) persistir no cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança na Coreia do Norte e perseverar com a resolução da questão através de meios pacíficos, diálogo e consultas.”

O CONFLITO NA COREIAVeja as capacidades dos adversários

Ex-líder sul-coreana nega acusações em início de julgamento por corrupção

KIM TONG-HYUNG

23/05/2017

A ex-presidente Park Geun-hye negou as acusações de corrupção ao se iniciar na terça-feira (23) o julgamento criminal que poderá enviar à prisão pelo resto da vida a primeira líder mulher da Coreia do Sul.

A polícia havia mais cedo escoltado Park, algemada, ao tribunal para sua primeira aparição pública desde que foi presa, em 31 de março, por acusações de corrupção que levaram à sua remoção do cargo.

Câmeras dispararam flashes quando Park saiu de um ônibus com seu número de prisioneira, 503, preso a um paletó escuro e entrou no Tribunal Distrital Central de Seul. Suas mãos foram então liberadas, ela entrou e sentou-se diante de uma mesa com três juízes, enquanto uma multidão de jornalistas captava imagens, muitas vezes em extremo close-up, de seu rosto sério.

Presidente Park Geun-hye faz discurso quando ainda era presidente
Presidente Park Geun-hye faz discurso quando ainda era presidente

Quando o juiz Kim Se-yun perguntou a Park qual era sua ocupação, ela respondeu: “Não tenho nenhuma ocupação”.

Sua antiga confidente e suposta cúmplice, Choi Soon-sil, estava sentada perto de Park. As duas são amigas há quatro décadas, mas não se olharam.

Choi soluçou quando respondeu às perguntas sobre seu endereço e ocupação. Park olhava fixamente à frente quando os promotores leram as acusações.

“A acusada Park Geun-hye, em conluio com sua amiga Choi Soon-sil, deixou Choi, que não tinha cargo oficial, intervir em assuntos de Estado… e elas abusaram do poder e pressionaram companhias para oferecer suborno, assim obtendo ganhos privados”, disse o promotor-chefe, Lee Won-seok.

Park e seu advogado, Yoo Young-ha, negaram qualquer desvio de conduta. Perguntada se tinha algo a acrescentar, Park disse com a voz calma e comedida: “Eu direi mais tarde”.

Choi teria declarado no tribunal: “Sou uma pecadora por forçar a presidente Park, que conheço e assisto há 40 anos, a comparecer em um tribunal”. Ela também disse: “Espero que este julgamento realmente livre a ex-presidente Park de faltas e permita que ela seja lembrada como uma presidente que teve uma vida dedicada a seu país”.

O juiz Kim disse que o tribunal decidiu combinar os casos de Park e Choi, e marcou a próxima audiência para quinta-feira (25).

Após o final da audiência na terça, Park, mais uma vez algemada, não falou com a imprensa enquanto a polícia a colocava de volta no ônibus para voltar ao centro de detenção perto de Seul onde ela está recolhida.

“Estou aqui para presenciar um novo capítulo da história se desenrolar”, disse o espectador Lee Jae-bong, 70, a um repórter presente. “Acho que Park deve ser punida completamente e nunca ser perdoada, para que uma coisa tão ruim nunca mais aconteça.”

A prisão de Park ocorreu semanas depois que ela foi removida do cargo em uma decisão do Tribunal Constitucional, que manteve o impeachment declarado em dezembro pelos legisladores depois de grandes protestos de rua, pelas acusações de corrupção que surgiram em outubro passado.

Os promotores gabam-se de ter evidências “avassaladoras” que provam o envolvimento de Park em atividades criminosas. Eles dizem que ela se juntou a Choi para receber cerca de US$ 26 milhões (R$ 85 milhões) em propinas da Samsung e teve promessas de mais dezenas de milhões de dólares dessa e de outras grandes empresas. Park também teria supostamente permitido que sua amiga manipulasse assuntos do Estado nas sombras.

Um porta-voz da Casa Azul, a Presidência, disse que não havia um pronunciamento oficial sobre o julgamento de Park. O novo presidente liberal, Moon Jae-in, assumiu o cargo neste mês depois de vencer uma eleição especial para substituir Park.

O escândalo levou ao indiciamento de dezenas de pessoas, incluindo ex-ministros, assessores presidenciais e o bilionário herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, que é acusado de subornar Park e Choi em troca de favores empresariais. Lee enfrenta um julgamento separado.

Park pediu desculpas por depositar confiança em Choi, mas negou que tenha infringido a lei e acusou seus adversários de tentar enquadrá-la. Choi também nega os desvios.

Park passou as últimas semanas trancada em uma pequena cela com televisão, banheiro, pia, mesa e colchão. Ela teria recebido alguns visitantes e seus advogados e evitado a televisão e os jornais. Ela lê avidamente um dicionário inglês-coreano, segundo reportagem de um canal de TV a cabo que citou uma fonte anônima do centro de detenção.

Park recebeu o apoio majoritário dos conservadores, que lembraram que seu pai, um ditador, levantou o país da pobreza nos anos 1960-70; os críticos citam os graves abusos aos direitos humanos cometidos por ele.

Mas ela foi acusada de conduzir mal um desastre de barca em 2014 que matou mais de 300 pessoas, na maioria estudantes. E o escândalo envolvendo Choi destruiu a imagem cuidadosamente burilada por Park de uma filha abnegada da Coreia do Sul e inspirou o público irado a pedir sua deposição e então eleger o primeiro governo liberal do país em uma década.

Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos sul-coreanos apoia o processo contra Park, mas ela ainda tem firmes defensores.

Cerca de 150 pessoas se reuniram perto do tribunal na terça-feira, agitando bandeiras do país e portando cartazes que diziam: “Park é inocente! Libertem-na imediatamente!” Algumas gritaram e choraram quando o ônibus com Park passou.

O julgamento deverá durar vários meses.

A denúncia mais prejudicial é que Park e Choi aceitaram propinas da Samsung, o maior grupo empresarial do país. Lee, o chefe de fato da Samsung, é suspeito de usar milhões em fundos da empresa para patrocinar companhias, organizações esportivas e fundações beneficentes controladas por Choi.

Em troca, Park garantiu o apoio do governo a uma fusão contenciosa de duas empresas da Samsung em 2015 que foi um passo chave para transferir o controle corporativo para Lee de seu pai doente, dizem os promotores.

O promotor Hwang Woong-jae disse que Park se reuniu com Lee em julho de 2015 e que “Park disse esperar que a questão da sucessão da Samsung fosse resolvida tranquilamente sob seu governo e pediu que Lee Jae-yong apoiasse as duas fundações”.

Lee negou usar os pagamentos para conquistar apoio para o negócio de 2015, dizendo que a Samsung estava apenas reagindo aos pedidos de Park para apoiar a cultura e os esportes.

O advogado de Park, Yoo, disse que ela não poderia ter se beneficiado das fundações porque indivíduos não podem retirar dinheiro livremente.

“Não havia motivo para a presidente Park forçar as companhias a doar um dinheiro que ela não poderia usar para si própria”, disse Yoo.

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Polícia identifica homem-bomba de ataque contra show em Manchester

As autoridades britânicas identificaram nesta terça-feira (23) o homem-bomba responsável pelo ataque da véspera durante um show da cantora pop Ariana Grande em Manchester.

Ele foi identificado como Salman Abedi, 22, afirmou o chefe da política de Manchester, Ian Hopkins. Segundo a rede BBC, Abedi nasceu em Manchester e sua família tem origem líbia. A investigação busca entender agora se Abedi atuava sozinho ou se era parte de uma organização.

Também nesta terça-feira, a polícia prendeu na região sul da cidade um homem de 23 anos suspeito de conexão com o atentado, que deixou ao menos 22 mortos e dezenas de feridos após o fim do show na Manchester Arena. Não há brasileiros entre as vítimas, informou o Itamaraty.

Agentes de segurança realizaram uma operação em um apartamento em Manchester e fizeram a explosão controlada de um artefato, informou a polícia.

Um outro homem foi detido no shopping Arndale Centre, em Manchester, mas as autoridades não viram indícios de que ele tenha ligação com o atentado. O local chegou a ser fechado temporariamente nesta terça.

ESTADO ISLÂMICO

A facção terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria da ação em uma mensagem que, no entanto, não apresentou nenhuma evidência de sua participação real. “Um soldado do califado conseguiu colocar explosivos em meio a uma reunião dos cruzados na cidade britânica de Manchester”, disse a milícia.

É possível, como em outros casos no passado, que o autor tenha agido sozinho e agora a facção tente se beneficiar da atenção na mídia, que é uma parte importante de sua estratégia para recrutar militantes.

O diretor de Inteligência dos Estados Unidos, Dan Coats, afirmou que as autoridades do país ainda não verificaram se o Estado Islâmico é responsável pelo ataque.

REAÇÕES

“Este ataque se destaca por sua covardia doentia e pavorosa, tendo como alvo deliberado crianças indefesas e inocentes e jovens que deveriam estar aproveitando uma das noites mais memoráveis de suas vidas”, afirmou a primeira-ministra britânica, Theresa May.

May visitou o local do ataque na manhã desta terça e assinou o livro de condolências em um hospital de Manchester que recebeu a maior parte dos feridos. Após conversar com o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, ela concordou em suspender a campanha para a eleição parlamentar de 8 de junho.

A segurança no restante do Reino Unido será incrementada com um maior contingente policial deslocado para Londres.

A rainha Elizabeth 2ª disse nesta terça-feira que “a nação inteira está chocada” com o ataque. “Sei que falo por todo mundo ao expressar minha empatia mais profunda com todos os que foram afetados por esse evento horrível”, afirmou.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar triste e em choque. “As pessoas no Reino Unido podem estar convencidas de que a Alemanha está do lado delas.”

O presidente americano, Donald Trump, comentou o ocorrido durante sua visita a Belém, na Cisjordânia. “Mantemos nossa absoluta solidariedade com o povo do Reino Unido”. Ele descreveu os responsáveis pela ação como “perdedores malvados”.

O ex-presidente dos EUA Barack Obama também se manifestou sobre o ataque em uma rede social. “Americanos sempre irão ficar ombro a ombro com o povo do Reino Unido.”Vladimir Putin, presidente da Rússia, “expressou suas condolências à primeira-ministra May”, informou a assessoria do Kremlin.

Nesta terça, o presidente da França, Emmanuel Macron, visitou a embaixada britânica em Paris e deixou sua mensagem de condolência em um livro (veja vídeo abaixo).

TERROR NA EUROPA

Ataques recentes aos países do continente

Paris (13.nov. 2015)
Uma sequência de ataques a bomba e com atiradores em várias partes da cidade deixa 130 mortos. Estado Islâmico reivindica autoria

Bruxelas (22.mar.2016)
Três homens-bomba ligados ao EI se explodem no aeroporto e numa estação de metrô; 32 morrem

Nice (14.jul.2016)
No Dia da Bastilha, em mais uma ação do EI, um atirador dirigindo um caminhão atropela uma multidão à beira-mar e mata 86

Berlim (19.dez.2016)
Em ação semelhante à de Nice, motorista avança com um caminhão contra pedestres em um mercado de Natal; 12 são mortos

Londres (22.mar.2017)
Um ano após os ataques de Bruxelas, um homem atropela pedestres na ponte Westminster e esfaqueia um policial na entrada do Parlamento; 5 morrem

Estocolmo (7.abr.2017)
Novamente, um caminhão é usado para atropelar pedestres, em uma rua comercial, deixando 4 mortos

China presenteia cidade alemã onde Marx nasceu com estátua do filósofo

DIDI KIRSTEN TATLOW
DO “NEW YORK TIMES”, EM PEQUIM

Da China, com amor. Ou algo mais insidioso?

Há semanas os chineses discutem o significado de uma estátua em tamanho de super-herói de Karl Marx que será enviada a Trier, cidade alemã onde nasceu o filósofo político. Uma tentativa de disseminar a revolução comunista de volta à Alemanha democrática? Uma piada?

A obra de 5,5 metros do escultor Wu Weishan é um presente do governo chinês e deverá ser revelada em maio como parte das comemorações do 200º aniversário de Marx. O filósofo é oficialmente reverenciado na China, o último grande Estado comunista depois da queda da União Soviética em 1991.

Harald Tittel/Associated Press
Moradores de Trier (Alemanha) observam representação em madeira de estátua chinesa de Karl Marx
Moradores de Trier (Alemanha) observam representação em madeira de estátua chinesa de Karl Marx

Esse Marx de ar nobre, olhando para o futuro, expressa “a confiança da China de hoje em suas próprias teorias, seu caminho, sistema e cultura”, escreveu Wu no “Diário do Povo”, o jornal do partido, em janeiro, descrevendo uma visita que ele fez a Trier no ano passado para conceber sua obra.

A visão de Wu causou polêmica na Alemanha depois que um modelo foi revelado em Trier em março. Historiadores e políticos perguntaram se é adequado homenagear de forma tão acrítica um homem cujas ideias levaram à ditadura, inclusive na antiga Alemanha Oriental. Em abril, o conselho de vereadores de Trier deu a aprovação final ao presente, mas reduziu seu tamanho em mais de 60 centímetros.

Na China, “há duas vozes completamente diferentes na discussão” sobre a estátua, disse Zhu Dake, um comentarista cultural e professor na Universidade Tongji em Xangai.

“Uma é que a Alemanha é hoje um Estado completamente capitalista que abandonou o marxismo. Enviar a estátua é equivalente a enviar suas ideias de volta para tentar reacender a fagulha da revolução”, disse ele em uma entrevista.

“A outra é que a teoria da luta de classes de Marx teve um efeito muito negativo na China”, disse ele. “Enviar a estátua é simbolicamente devolver produtos defeituosos.”

Grande parte do debate na China ocorre em particular, diante da suscetibilidade de se comentar em público um projeto supervisionado pelo Departamento de Propaganda do Partido Comunista. Mas o site Zhihu.com, um serviço de perguntas e respostas, oferece percepções dessas opiniões.

“A Internacional certamente terá sucesso!”, escreveu um usuário identificado como Wang Dongyang, referindo-se à Internacional Comunista, fundada em 1919 para promover o comunismo no mundo.

“Eu sou o único que pensa que isso parece Mao em ‘O presidente Mao vai a Anyuan?'”, perguntou outro comentarista, referindo-se a uma famosa pintura de propaganda da Revolução Cultural.

“À meia-noite do segundo dia, uma equipe de Espada do Sul da China —uma unidade de forças especiais do Exército de Libertação do Povo— “saltará para fora da estátua”, escreveu Ning Andong, comparando-a ao Cavalo de Troia.

“O que a China quer dizer é: estamos devolvendo-a para vocês. Não acreditamos nela”, disse Wu Jia.

Milhões de pessoas morreram nas campanhas políticas comunistas depois da fundação da República Popular, em 1949, e em uma crise de fome precipitada por uma iniciativa de coletivizar a agricultura, no final dos anos 1950. Mas o governo insiste que o partido continua sendo essencial para a prosperidade e a estabilidade da China, apontando as últimas décadas de alto crescimento econômico.

Nesse período, o comércio com a Europa também prosperou, levantando mais perguntas sobre como os países democráticos devem lidar com um Estado economicamente poderoso que rejeita a democracia e tem um fraco histórico em recursos humanos. No ano passado, a China se tornou o principal parceiro comercial da Alemanha, com negócios de US$ 180 bilhões, superando os EUA pela primeira vez.

“Ah-ah! Os alemães têm de ceder ao renminbi. Eles não se importam mais com a ideologia política quando chega o dinheiro dos chineses ricos”, escreveu no Zhihu.com um usuário que se identificou como Guo Xiaomeng.

Para Chang Ping, um jornalista chinês que vive exilado na Alemanha desde 2011, a estátua de Marx representa um desafio que a maioria dos alemães não entende.

“Não é apenas uma questão de comemorar uma figura histórica. É também uma questão de como lidar com a ambição do governo chinês de brilhar no cenário mundial”, disse Chang por e-mail.

“Acho que posso ver melhor que a maioria dos alemães comuns o sorriso odioso por trás da estátua que deverá se erguer em Trier, e a ameaça que ela representa para as culturas políticas civilizadas do mundo”, disse ele.

O prefeito da cidade, Wolfram Leibe, acha tais preocupações exageradas.

“Foi um gesto de amizade, não tem nada a ver com ideologia”, disse Leibe em uma entrevista por telefone em abril, pouco depois de retornar da China, onde se encontrou com o escultor Wu.

“Talvez uma certa ingenuidade não seja sempre ruim, se evitar a interpretação excessiva, por isso você nem sempre disseca as coisas em detalhe e desconfia de tudo”, afirmou ele.

Wu recusou três pedidos de entrevista, dizendo que a estátua é um assunto de Estado e que ele não queria interromper seu fluxo criativo.

Conhecido na China por seus monumentos a figuras históricas e culturais, assim como sua longa cabeleira e suas echarpes, Wu, 55, é o diretor do Museu Nacional da China e tem um assento na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, um órgão assessor do governo.

Ele produziu outras esculturas de Marx, notadamente uma que o mostra o seu colaborador Friedrich Engels, que está no Departamento de Tradução e Compilação do Partido em Pequim. Em 2011, uma enorme estátua de Confúcio que ele criou se ergueu brevemente perto da Praça Tiananmen em Pequim, antes de ser removida em circunstâncias que nunca foram totalmente explicadas.

Ele também é conhecido internacionalmente, tendo ganhado em 2003 o Prêmio Pangolin da Real Sociedade Britânica de Escultores; fez um busto da rainha Beatrix da Holanda e apresentou uma escultura ao Comitê Olímpico Internacional.

A visão grandiosa de Wu para a estátua de Trier derrubou um conceito mais abordável proposto por moradores que queriam Marx representado como uma criança, sentada em um banco numa pequena praça, onde as pessoas poderiam sentar-se ao seu lado.

“Wu veio a Trier e disse: ‘Esta praça é muito pequena e lotada. Karl Marx foi um grande homem e não podemos colocá-lo em uma praça pequena'”, disse Leibe.

Para Geremie Barmé, um dos fundadores da Academia Wairarapa para Nova Sinologia, na Nova Zelândia, a escultura é uma expressão de poder do partido.

“A sugestão dos alemães era de um Marx humano, humanista, uma fonte de mudança na China —e não o Marx heroico, esclerótico, formalizado, usado para os fins do partido, que Wu ofereceu”, disse Barmé por telefone.

A mensagem da China, segundo ele, é: “Já que somos os únicos que tivemos sucesso e adaptamos o marxismo à liderança do Estado, vamos lhes dizer do que se trata”.

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